sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Em homenagem ao pai

Como centenas de outros apaixonados das duas rodas clássicas, o minhoto António Cardoso também está a planear ir ao mega-encontro de motorizadas que vai ter lugar em Fátima dia 11 de Junho do ano que vem. Apesar de gostar de tudo o que é "senhoras", António tem uma paixão em particular, as Fórmula I. Teve mais que uma quando era jovem e hoje em dia tem uma pequena colecção de três "operacionais" e duas para peças. Mas a ida a Fátima, que vai ser feita a rolar e com um grupo de amigos (que, segundo ele, está a crescer quase de dia para dia), não vai ser feita de Fórmula I. António vai na Famel 111 de 1975 com motor Zundapp refrigerado a ar, de cilindro grande, da foto que foi durante anos a moto de trabalho do seu pai e que hoje está na sua posse. "Ainda pus em hipótese ir numa das Fórmula I", diz ele, "Qualquer uma delas está em óptimo estado e aguentava muito bem os cerca de 260 kms que são daqui da nossa aldeia de Creixomil, no concelho de Barcelos, até Fátima. Mas depois decidi ir na Famel. Vai ser uma homenagem ao meu pai a quem devo tanto, incluindo a minha paixão pelas motos. Posso demorar um bocadinho mais, mas ela também lá vai chegar e vai ser a moto com que me hei-de lembrar para sempre de ter participado no recorde".

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quase 300.000 euróis!

Já todos sabíamos que apesar da crise o interesse crescente pelas motos clássicas não dá sinais de acalmia mas o leilão de motos e carros antigos do fim de semana passado da H&H Classics em Inglaterra ultrapassou tudo o que se poderia imaginar. As peças que foram à praça eram cerca de 100 motos, quase todas inglesas e a maioria dos anos 20, 30, 40 e 50 que no seu conjunto estavam avaliadas em cerca de um milhão de libras (perto de 1,2 milhões de euros) mas só uma delas, uma Brough Superior SS100, acabou por ser vendida por 260.000 libras (cerca de 299.000 euros), o que faz dela, de longe, a moto mais cara do mundo. O recorde anterior, também de uma Brough, era da ordem de 200.000 libras. Ao que parece, o valor inesperado da
venda tem a ver sobretudo com o estado de conservação desta Brough a qual quando foi comprada nova nos anos 20 vinha já na sua versão mais completa tendo, desde então, sido conservada em estado imaculado. A título de curiosidade, no mesmo leilão foi vendida uma VW Kombi e um Honda S600 pela bonita soma de 57.000 libras - mais do dobro do seu valor normal - se bem que aqui há uma explicação muito concreta para o caso. É que ambos os carros pertenciam ao actual campeão do mundo de Fórmula I Jeson Button. Apesar de também contar com ingleses, os principais compradores do leilão terão sido coleccionadores da América do Sul e do continente asiático. Por este andar, se eles descobrem as nossas V5s e Faméis Zundapp, ainda vamos vê-las a serem vendidas a 15.000 e 20.000 euros. Qual dinheiro no banco, qual quê!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os calendários do Rui

Quando o Rui Herdandinha, da Arraiolbike um dia destes se ofereceu para me mostrar as antigas instalações da oficina de motos da família bem no centro de Arraiolos, não hesitei. Avisou-me logo que não havia lá motos mas ainda assim achei que valia a pena, nem que fosse para imaginar como seria o bulício da terra há 40 anos atrás cheia de movimento e motorizadas paradas à porta da oficina. Lá chegados, as ditas realmente eram só quatro paredes e um tecto que já deve deixar entrar chuva por aqui e ali. E motos, efectivamente não havia nenhuma. Mas, no meio do entulho todo, havia algo bastante interessante, e pelo menos para mim, cheio de vida. Calendários. Calendários de parede dos anos 60, 70 e 80 que apesar da sua idade, dizem muito, seja sobre as motos que se vendiam na altura, seja sobre a forma das promover. Uma maravilha. E todas ainda na parede, independentemente do seu ano. Dir-se-ia que o pai do Rui, que era quem dirigia a oficina na altura, usava o calendário e depois deixava-o na parede como quadro. Grande ideia. E ainda bem que ninguém se lembrou de os tirar de lá.

Este da Motoesa é o mais recente de todos. Tem pouco mais de 20 anos e além da moto futurista desenhada em cima mostra parte da gama que a empresa fabricava na altura, tendo em primeiro plano a Motoesa EFS Formula I já com jantes de liga leve e outras modernices.

Este, da EFS, é de 1981 - pouco antes dela fechar - e é também interessantíssimo pois mostra talvez toda a gama da marca na época, com as motorizadas mais "potentes" em primeiro plano e com os condutores das ditas com capacetes integrais, portugueses também provavelmente. Com um pouco de sorte, alguém que fez este anúncio ainda se lembrará dele e poderá contar-nos alguma história à sua volta.

Este, com a ajuda do Google, parece-me ser de 1979, e digo parece-me porque não lhe consigo descobrir o ano impresso no mesmo. É da Simões & Filhos e pela importância do pneu (e da jovem toda atrevida que faz questão de nos apontar o seu dedo para ele), percebe-se que na altura o negócio da Verdenstein já era de longe o mais importante da empresa.


Este, da Famel, e de 1969, é o mais antigo de todos. Pela paisagem de fundo, talvez até tenha sido pintado por algum artista local inspirado na bonita Pateira de Fermentelos que se situa perto da antiga fábrica da Famel mas o que é mais curioso nele são as duas motos que o artista, e os responsáveis da Famel, decidiram apresentar, as quais não consigo identificar. Seriam modelos concretos ou seriam imaginados pelo artista?

Haverá por aí mais gente que tenha destes preciosos calendários desta época? Com um pouco de sorte, ainda fazemos aqui no blog uma galeria deles.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Para primeiro, não está nada mau


Enquanto, sobretudo na Grande Lisboa ou no Grande Porto, já vai havendo encontros monomarcas, mais ou menos formais, de inglesas, alemãs, italianas, japonesas e norte-americanas, de "senhoras" da Europa do Leste ainda não tinha havido nenhum. Há coisa de um mês atrás, porém, uma série de carolas da Jawa e da CZ do norte arregaçaram as mangas e em poucas semanas conseguiram por de pé um encontro histórico pois apesar da sua pouca divulgação ainda conseguiu reunir 15 máquinas das duas marcas o que terá constituído a maior concentração de Jawas e CZ da Peninsúla Ibérica nos últimos 40 anos. Foi em Santo Tirso e entre as máquinas presentes contavam-se desde uma rara Jawa Perak de 1947 (a moto mais antiga do encontro) até várias Jawas 559 dos anos 60, passando por outras coisas bonitas como uma CZ 450 de 1961, uma Cezeta, duas CZs twins e outras. Visivelmente entusiasmado com o êxito do encontro, Daniel Moutinho, o responsável do blog do clube (http://jawaczportugal.blogspot.com)e um dos promotores da iniciativa, diz que o mesmo superou todas as expectativas. "Começámos a preparar isto há pouco mais de um mês, de uma forma muito informal e mesmo assim conseguimos reunir 15 motos. Imagine-se o que poderemos fazer para o ano com mais tempo e mais organização. Quem sabe até conseguimos trazer gente de fora".

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Uma surpresa chamada Guimarães

Nos últimos anos tem aumentado a olhos vistos o número de feiras e exposições no norte dedicadas só a motos antigas, ou automóveis e motos. Tirando Cavalões que já é um clássico - e que este ano terá tido a sua melhor edição de sempre - só nos úlitmos três anos despontaram outros eventos como a exposição do Indian Clube em Famalicão ou as feiras de Braga, Fafe, Guimarães e Porto. Enquanto para nós adeptos das motos, as que são exclusivamente dedicadas às duas rodas são sempre interessantes de visitar, as que metem quatro rodas impõem uma selecção pois muitas vezes é preciso andar de lupa ou quase para se descobrir nelas algo ligado a motos. Entre as várias "mistas", porém, a de Guimarães que teve lugar no fim de semana passado e que tive a oportunidade de visitar, merece um lugar à parte. E isto não só porque a presença das motos nela era mesmo evidente como também porque o local da feira em si, o Pavilhão Multiusos da cidade e a hospitalidade dos vimareneses, recomenda-se. A maior parte dos expositores, como seria de esperar, eram gente da zona embora os houvesse também do centro e sul do país e só motos (e bicicletas) clássicas seriam mais de 100. Entre elas algumas coisas engraçadas - que vamos desenvolver na revista - mas das quais deixamos aqui já alguns lamirés.


A começar pela Ralegih com motor auxiliar na roda de trás da foto acima, cheia de pontos de interrogação, que veio de Santo Tirso e que o próprio expositor não sabia ao certo o que era

ou as motos da Mototrok de Mário Campos, algumas delas peças de colecção como esta interessante Honda com 305cc (que penso que não foi comercializada em Portugal) e que terá sido a primeira enduro japonesa,

ou ainda a Heinkel 103 A2 de Paulo Pereira que além de ser de Guimarães e um dos grandes impulsionadores do Vespa Clube local (e dos Amigos da Heinkel e outras coisas), ainda foi um dos principais dinamizadores da comonente de duas rodas da feira ao organizar uma gincana à antiga na entrada do recinto com perto de 100 participantes e umas centenas de espectadores.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Estes gajos estão malucos, sabe?"

Aproveitando o mini-verão dos últimos dias, quarta feira passada meti-me no "cavalo" e fui até Fátima e Ourém tratar da logística do "Todos a Fátima". Tendo como anfitrião o incansável Filipe Primitivo do Vespa Clube de Fátima, visitei lugares, falei com entidades, e "limei" um pouco mais as arestas do que vai ser o programa final do evento (o qual, está a ficar cada vez mais interessante, diga-se). Na volta, resolvi fazer um pequeno desvio por Leiria para ir conhecer de perto um novo projecto ligado a classicas que está a arrancar lá perto, a HT Moto Peças (e da qual também vamos ter que falar em breve) e para lá chegar apanhei a EN 113 que liga Ourém à cidade do Lis, uma estrada com paisagens simpáticas mas muitas curvas e com um bom bocado de trânsito o que aconselha a fazermo-la sem pressa. Como não conhecia o caminho, vinha com os radares todos ligados e digo todos porque são mesmo vários, incluindo um que anda sempre "á caça" de clássicas e oficinas delas. Já relativamente próximo de Leiria, aí a uns 10 kms, esse dito radar das clássicas começa a dar sinal de vida. A uns 300 metros de mim tinha, do lado direito da estrada, uma oficina de motorizadas com uma Casal e uma Famel cá fora. Parei, desci da montada e toca a entrar para cumprimentar o "chefe", o Sr Rui. Quando me apresentei, primeiro olhou-me de soslaio e um pouco desconfiado como quem diz "o que é que este gajo quer" mas depois aos poucos foi-se abrindo. Desde os sete anos nesta vida da reparação de motorizadas, e bicicletas, o nosso amigo dizia-se farto do seu trabalho e desejoso do dia que pudesse ter as motorizadas pelas costas. "Já tive empregados" dizia ele, "Agora estou sozinho, e queria era deixar as motos, as moto-serras dão-me mais dinheiro. Mas estes gajos cá da zona estão malucos, sabe? " Segundo o Sr Rui a maior parte deles já tem carro, tinham as motorizadas encostadas nos palheiros mas agora nos últimos meses deu-lhes para tirá-las cá para fora. "Quererem pô-las todas a andar, preocupam-se em tê-las com as peças originais e divertem-se a fazer passeios com elas nos fins de semana. Olhe estas duas aqui à entrada, uma Mayal e uma V5. Tavam a apanhar pó há quase 20 anos, e de repente os donos chegaram aqui e queriam-nas prontas já ontem. Será que os gajos não têm mais nada que fazer". Deixei-os estar, Sr Rui. É uma pancada, é sim senhor, mas é daquelas que não faz mal, antes pelo contrário!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A ver quem quer ficar com ela

Não é preciso ser professor catedrático para se saber que cada país tem as suas preferências por motos. Cá em Portugal, se fôssemos a votos, as V5, as Xf17, Casais, EFS, e outras 50s ganhavam de longe. Os espanhóis são doidinhos por Bultacos, Montesas, Ossas e outras máquinas "made in Spain", os italianos por Ducatis, Moto Guzzis e Vespas, e assim por diante. Em face disto, não será de estranhar que os bifes tenham os radares virados sobretudo para tudo o que é inglês, seja as marcas mais conhecidas seja aquelas que apareceram e desapareceram passado pouco tempo mas esta paixão deles com "P" grande pelas suas "senhoras" vai ser testada em grande no sábado quando uma BSA Rocket 3 de competição for a leilão com uma licitação-base de 160.000 libras, cerca de 200.000 euros. Por trás deste valor estratosférico para uma moto - é quase como cá em Portugal tivéssemos uma V5 especial de corrida a ser vendida por 15.000 ou 20.000 euros - está não tanto a moto em si mas o seu significado histórico para os ingleses. É que esta Rocket, juntamente com duas outras, foram as últimas BSA de competição preparadas pela fábrica pouco antes dela fechar em 1971. Foram preparadas partir da Speed Twin - cada motor é 1,5 de Speed Twin - e correram nos Estados Unidos onde depois de um começo não muito brilhante ainda ganharam duas provas de resistência e bateram recordes de velocidade. Agora, é só esperarmos pelo fim de semana para sabermos se algum "desaparafusado" dá os 200.000 euros que estão a ser pedidos pela máquina o que, a acontecer, faria dela, umas das clássicas mais cáras dos últimos dez anos!