segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A "descoberta" do senhor Manuel Irío

Manuel Irío é um "jovem" de 66 anos com uma oficina, de motorizadas, bicicletas e motoserras, na aldeia de São Bartolomeu do Outeiro, no concelho de Portel, toda a vida trabalhou ligado às duas rodas. E pelas suas mãos já passaram centenas e centenas de motorizadas, ciclomotores e bicicletas de todos os tipos e feitios. Mas, apesar disso, ainda se consegue surpreender a si próprio , como aconteceu há uns dias atrás, quando descobriu que um ciclomotor em muito mau
estado que comprou recentemente, tinha um quadro da Famel e o motor Sachs. Tudo estaria "numa boa" se fosse sabido que a Famel usou motores Sachs mas tanto quanto sei, nunca usou tais motores. A confirmar-se isto, o que teríamos aqui seria um "enxerto", uma Famel (o quadro, esse não engana) que inicialmente teria tido um outro motor e ao qual em determinada altura da sua vida o seu motor original
teria sido trocado por um motor Sachs. Podia ser mas não há nem no motor nem no quadro quaisquer sinais de "remendos" e segundo o anterior dono da máquina, ela sempre foi assim desde que ele a comprou, como nova. Como diria o grande Fernando Peça nos seus tempos de repórter de rua de casos insólitos, "E esta, heim?"! Ps O banco, assim como o depósito originais estão a ser arranjados. Os que aqui se podem ver são "emprestados" até os verdadeiros estarem prontos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A acabar o ano com o padre Zé Fernando e outra malta (muita) fixe!

Vésperas de Natal, Ano novo, Páscoa e outras datas festivas, para mim é sinónimo de andar por aí. Se possível de moto, mas, mais importante que isso, é o ver e visitar amigos. Aqueles que, por um motivo ou outro, a gente só pode ver muito de vez em quando. E desta feita, os meus destinos foram - entre outros - a Beira Baixa, mais propriamente Tinalhas, a terra do Grupo Motard T'Atestar que, sob a liderança de Tó Mané Ramalhinho, tem posto aquela região de Portugal a viver, e em força, o espírito das "senhoras". Com um dia de encomenda, os amigos de Tinalhas organizaram um bom dum almoço onde se falou de motos e motos, mas não só. Entre a malta presente - apenas um número restrito dos já quase 100 membros do Grupo - encontrava-se um homem de quem já tinha ouvido falar, e muito, mas que ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer, o padre Zé Fernando, mais conhecido como o "padre motard". Um homem que, para além de também gostar de motos, tem o dom da palavra, e fala de temas espirituais como quem fala de V5s, Xf17s, depósitos de gasolina, cilindros ou conta-quilómetros. Com um à-vontade que dá gosto ouvir e pedir por mais. Com um pouco de sorte, e vamos torcer por isso, vamos puder contar com ele no Todos a Fátima. Quem manda lá em cima, assim o permita.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A cinquentinha que vai deixar a KLT na garagem

Até agora, quando Rui Cândido, um alentejano da aldeia de Santana, no concelho de Portel, queria fazer viagens de moto, tudo o que tinha a fazer era preparar a sua BMW KLT de 1200cc, verificar se ela estava em ordem, e fazer-se à estrada Seja para viagens de umas horas, uns dias, ou umas semanas, Rui não a troca, ou não trocava, por nada. E "não a trocava" porque com a história do Todos a Fátima, começou a combinar, meio na brincadeira, com uma série de amigos das motos grandes irem todos a Fátima em 50s clássicas. A conversa foi andando e o certo é que todos eles já têm uma "senhora" e estão a preparar-se mesmo para ir ao mega-encontro. Rui arranjou uma Yamaha RZ50 de 1991 e se tudo correr bem, é nela que vai. Ainda lhe faltam umas peças (nomeadamente a óptica, a semi-carenagem, e as rodas) e uma pintura à séria, para ela ficar como nova, mas Rui não se mostra preocupado. "Ainda temos seis meses", diz ele, "E até Junho seja cá em Portugal seja lá fora, tenho quase a certeza que vou encontrar o que me falta e ainda conseguir que ela seja pintada. Depois, depois é ir. Há muitos anos que não faço uma viagem numa coisa tão pequenina mas isto faz-me voltar atrás na minha vida quando comecei a andar de moto e ir a Fátima nela é quase como voltar a ter 16 ou 17 anos"!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A indomável Roadog

Por mais curta que seja a sua vida, todas as motos têm uma história para contar. Poucas, no entanto, terão uma tido uma vida tão aventureira como a Roadog, a moto mais comprida do mundo. Criada no começo dos ano 70 pelo americano William "Wild Bill" Gelbke, - um engenheiro electrónico que trabalhou vários anos na McDonnell Douglas antes de se estabelecer com uma oficina mecânica em Chicago - a moto tinha um motor de um Chevrolet Chevy II, a transmissão de uma Harley Power Glide, travões de disco de um Chevrolet Corvette, e quatro apoios hidráulicos em vez de um descanso normal. Tinha 5,18 metros de comprimento e pesava 1487 kgs. Só no seu primeiro ano de vida, a moto fez quase 30.000 kms um pouco por todos os Estados Unidos mas depois disso Wild Bill voltou com ela para Chicago e concebeu uma máquina mais pequena, a Gelbke Auto-Four que "só" pesava cerca de uma tonelada e da qual ainda se fizeram oito exemplares. Só isto já dava direito à Roadog para figurar nos anais da história das duas rodas, mas a sua história não acaba aqui. Em 1979, Wild Bill morreu (em circunstâncias que nunca ficaram muito claras mas ao que tudo indica com uma bala disparada pela polícia!) e passado pouco tempo a moto desapareceu para só reaparecer passados seis anos numa garagem, na Califórnia. Após uma colecta pública de dinheiro, foi comprada aos herdeiros de Wild Bill pela Motorcyclist, uma das principais revistas norte-americanas de motos da época, e foi planeada uma sessão fotográfica com ela, parada e em movimento. Para a conduzir foi nomeado o director de testses da Motorcyclist, um ex-piloto com bastante anos de experiência na condução de todo o tipo de motos, só que o homem não chegou muito longe. Ainda conseguiu pôr a moto a andar mas quando chegou à primeira curva, em velocidade moderada, a Roadog simplesmente atirou-o para o chão. No seguimento disto, fizeram-se vários testes de física à moto e a mesma foi considerada "inconduzível" e nunca mais ninguém a experimentou. Aparentemente, só Wild Bill a conseguia "montar".

domingo, 26 de dezembro de 2010

A Honda 90 Limusine


Algunas personalizações de clássicas não têm lá muita graça mas há outras que são verdadeiras obras de arte e esta, de uma Honda 90, é uma destas últimas. Foi "descoberta" pelo Carlos Veríssimo de Álcacer do Sal e vale a pena ver, e rever. O primeiro video dá-nos uma ideia do que é a moto e da qualidade do trabalho de quem a fez enquanto o segundo, que terá sido filmado num passeio

de Hondas clássicas, é simplesmente hilariante, sobretudo ao vermos como o condutor faz aquelas curvas fechadas com a maior das facilidades. Não haverá aí nenhum "maluco" que se entusiasme a fazer uma coisa parecida, seja com uma Honda uma Yamaha, uma Florett, uma Zundapp de origem ou até algo "made in Portugal"?

sábado, 25 de dezembro de 2010

Só coisas bonitas


Já há vários anos que tenho por hábito dar um mini-giro por algum lugar longe dos Lisboa na véspera de Natal e este ano não foi excepção. Desta feita fui até aos nortes, ao Minho mais exactamente, e é impressionante a quantidade de coisas que um apaixonado de motos clássicas pode ver por lá mesmo que seja só numa viagem-relâmpago como esta. Para variar, não fui nem a metade dos lugares onde gostaria de ter ido mas tanta coisa boa que mesmo assim deu para ver! Desde uma moto russa de 300cc indescritível - mas que havemos de descobrir o que é - até uma Bina a andar na EN 13 perto de Foz do Neiva (e a passar por uma carrinha da Brigada de Trânsito que ficou estupefacta a olhar para ela e para o seu condutor sem capacete), uma raríssima ACE de quatro cilindros que está a ser restaurada em Famalicão pelo Eduardo "das Indians", três ou quatro Casal das primeirísismas no Armindo "do Louro", os avanços no restauro do que promete vir a ser uma V5 de Turismo com malas "de pistola" de fazer parar o trânsito ou quase, a que é provavelmente a única Suzuki 500cc a dois tempos de competição em Portugal, e mais e mais. Tudo isto em pouco mais de oito horas. E ainda há quem me pergunte como arranjo tanto material para escrever na revista.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Esta é do pai

Não são todos os pais que têm a sorte dos filhos gostarem também de clássicas mas na família Cardoso, de Lamego, parece que não tem esse problema. O pai Paulo tem uma série de máquinas, sobretudo 50s mas os seus dois filhos, que aqui se podem ver com ele junto à sua mais recente aquisição, uma Perfecta já restaurada (que em princípio vai ser a motorizada que vai levar a Fátima) também gostam destas coisas. E só o Gonçalo, que ainda tem quatro anos mas já tem cara de malandro, já é "proprietário" de uma Casal Boss, uma SIS Sachs V5, uma SIS Sachs TC50, uma Vespa, uma Zundapp 3, e uma Suzuki 125. Há pais que têm sorte, mas há filhos que também não se podem queixar!