
As aventuras da Kreidler nos começos do campeonato mundial de velocidade são mais ou menos conhecidas, mas só mais ou menos mesmo. Dos vários fabricantes europeus de motorizadas dos anos 60, a marca alemã foi, de longe, a que melhor viu o potencial do campeonato para promover a marca quando a FIM, em 1961, decidiu criar uma categoria no campeonato mundial para estas cilindradas. As duas outras marcas alemãs de maior renome internacional nesta cilindrada, a Sachs e a Zundapp já não estavam em muito boas condições financeiras e as marcas italianas não tinham dimensão para custear uma temporada inteira com sete ou oito provas, cada uma num país diferente. O que os homens da Kreidler pensaram, muito inteligentemente, foi que quanto mais conseguissem que a sua moto se parecesse com uma Florett, mais dividendos tiravam da sua participação no mundial. E assim foi. O motor da máquina era baseado no da Florett normal mas com umas grandes alterações como o carburador, a cabeça do motor, os pistons e até a caixa (que passou das quatro velocidades de fábrica para quatro vezes três!). Graças a todas estas alterações, enquanto a Florett normal tinha 3,5cv e uma velocidade máxima de 65 km/hora, a sua "irmã" de competição tinha 8,1cv a 12.000 rpm e a velocidade de ponta era de quase 120 kms/hora. Mas o mais curioso era o depósito e o resto da carroçaria da moto. O desenho original da carroçaria da máquina não tinha nada a ver com a Florett normal mas a direcção da Kreidler fez questão que fosse feita uma nova carroçaria a imitar o mais possível a Florett normal. Isto fez com que durante muito tempo, muita gente pensasse que a Florett de competição era, basicamente, uma Florett igual às que se vendiam nas lojas, apenas com pequenas modificações!