sábado, 19 de fevereiro de 2011

A tal

Um dos artigos mais interessantes da próxima MotoClássica é o levantamento dos muitos modelos da Vilar. É muito possível que ninguém saiba com total exactidão quantos modelos a marca de São Mamede de Infesta concebeu ao longo dos seus quase 40 anos de vida, mas uma coisa é certa. foram muitos, dezenas certamente. E de todos os tipos e feitios, desde motos com motor Villers até motorizadas e ciclomotores com motores das mais variadas orgiens. O que tentámos fazer foi um levantamento fotográfico o mais abrangente possível desta grande variedade de "máquinas". Graças a algumas ajudas preciosas, nomeadamente a de Carlos Martins do Old Moped, Filipe Viana de Monção, João Magarreiro da Terrugem e Ramiro Silva de Monte Redondo, conseguimos, pensamos, chegar bastante longe neste nosso propósito, mas sabíamos que entre os modelos que nos faltavam, havia um, bastante interessante que nos faltava, o da Perfecta Zundapp com depósito cromado. Ainda descobrimos um exemplar deste modelo no Minho, mas sem condições para ser fotografado, e por mais que procurássemos, nada. Parecia que não havia outro e tudo indicava que a revista ia ter que seguir para a grafica sem ele. Mas, assim como nos filmes dos cowboys, o "bom", muitas vezes aparece mesmo em cima da hora, aqui neste caso, poucas horas da revista começar a ser impressa, recebemos do Algarve, do Reinaldo e Álvaro Estaca, um mail - já prometido há algum tempo - de uma Perfecta que não fazíamos ideia do que seria. Calcule-se a surpresa quando, ao abrirmos o mail, descobrimos que a dita era nada mais nada menos que a tal Perfecta que já tínhamos perdido a esperança de conseguir em foto. Em bom português, foi porreiro, pá!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Daqui vamos pelo menos 100"

Manuel Raimundo, o homem da foto com cara de bem disposto, foi um dos 45 membros do Clube Famel de Fajões, no concelho de Oliveira de Azeméis, que no ano passado participou na peregrinação - só de Faméis -que o clube organizou a Fátima no final do verão. Este ano, a peregrinação vai ter lugar em Junho de modo a coincidir com o mega-encontro do Todos a Fátima e se tudo correr bem, Manuel, que está emigrado em França, também vai estar presente. Ele e mais 99 membros do clube pois segundo José Pinho, da sua direcção, este ano a peregrinação vai levar uns 100 homens a Fátima. "Ainda não tenho a certeza do número exacto", diz ele, "Mas vejo tanta gente entusiasmada com o encontro que daqui vamos pelo menos 100.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Foi assim que ele começou

Todas as Motos Clássicas têm artigos que, independentemente do trabalho que dão a preparar, nos dão mais "pica". No caso da próxima revista, que está mesmo a dar entrada na gráfica, e deve estar cá fora na próxima quinta-feira - um desses artigos foi a história de Mike Hailwood como um dos melhores pilotos de todos os tempos. E, apesar dessa vida estar bem documentada - o homem foi realmente fantástico, chegando a ganhar oito provas num dia e a conquistar quase três campeonatos mundiais no mesmo ano - da sua infância e juventude pouco sabíamos. A maior parte das suas biografias começam quando ela tinha 17 anos e correu a sua primeira prova, um troféu internacional de enduro na Escócia. Mas a vida tem destas coisas, e neste caso, o "esta coisa" foi ter-me cruzado este fim de semana com um bife que mora cá neste jardim à beira mar plantado e que também gosta muito de motos. Pois o bife, o inglês vá, estava a mostrar-me a garagem dele quando me deparo com um calendário de 1999 na parede, com uma foto do Hailwood (bem que eu digo que um bom calendário de motos é uma obra de arte, mais que qualquer outra coisa!). Conversa, puxa conversa, vim a saber que ele era grande admirador do dito, e que tinha um livro sobre a sua vida. Foi pelo tal livro - que se chama simplesmente "Mike" e é extremamente exaustivo em detalhes - que descobri a foto do post de hoje. O que ela mostra é Mike na sua primeira moto, uma mini-moto criada pelo seu pai Stan - na qual ele andava nos fins de semana. Na altura Mike tinha apenas 10 ou 11 anos e nem tinha força para apertar os travões da moto e a única maneira que tinha para parar era continuar a andar nela até ficar sem gasolina. É bem possível que esta vivência "forçada" com as motos o tenham ajudado a chegar onde chegou.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Os quatro amigos

Apesar do Algarve ser uma dos lugares de Portugal onde o fenómeno das motos e motorizadas antigas está mais espalhado, ainda há zonas da região onde se contam pelos dedos das mãos os apreciadores da "arte". Portimão é, ou era até à pouco, uma dessas regiões, e se algo está a mudar por lá, muito se deve a homens como estes amigos - José Urbano (o homem da V5 personalizada), Paulo Jorge (Kreidler Florett), Manuel Leandro (Macal M70) e Orlando Marreiros (KTM Super Export). Cada um como pode, os quatro têm feito muito para promover as "senhoras" na região. Em boa parte é graças a eles que se deve o grande sucesso do passeio de Chão das Donas o qual já é, de longe, o maior do barlavento algarvio e que este ano - com realização prevista para o primeiro fim de semana de Setembro - poderá vir a ter, pelo terceiro ano consecutivo, um novo recorde de participantes. Antes disso, porém, vamos poder encontrá-los numa série de outros passeios pois eles são daqueles que gostam de se montar nas máquinas, pelo menos, todos os fins de semana ou quase. Entre os seus planos de "saídas" conta-se o irem representar o concelho de Portimão a Fátima, só ainda não sabem como. São 450 kms até lá, mais 450 kms de volta, o que dá 900. "As máquinas aguentam", diz Orlando Marreiros, "O nosso problema é tempo. Como alguns de nós trabalham na hotelaria, o melhor que conseguimos fazer é sair sexta por volta da hora de almoço. Fazer 450 até ao fim do dia para depois estarmos descansados em Fátima no sábado não é fácil. Mas também não é impossível e até teria muita graça. Há uns anos atrás fomos daqui à Nazaré e ainda hoje nos rimos a contar histórias do que foi essa ida. Ainda vamos ver como fazemos".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Perguntas sem resposta

Esta também foi descoberta quando andava à descoberta de material para um artigo que estamos a preparar, neste caso sobre publicidade das motos britânicas nos anos 20 e 30. Não é propriamente um anúncio nem nada do género mas chamou-me a atenção. A máquina de quatro rodas não faço ideia que será mas a de duas é uma Triumph "Flat Tank" monocilíndrica do começo dos anos 20 e pelas matrículas, o local onde terá sido tirada terá sido uma, na altura colónia, inglesa em África, possivelmente o Quénia ou a Tanzânia. Quem terá tido a ideia de levar uma Triumph para aquelas terras naquela época, voltas terá dado enquanto lá esteve e será que ainda é viva?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O pessoal da Croca

Presentemente já há quase 110 clubes, associações e outros tipos de grupos associados ao Todos a Fátima e tem sido raro o dia em que não tem surgido um novo. Uns são maiores, outros menores, e uns são ligados a uma ou mais localidades enquanto outros são mais restritos, mas, pelo menos até agora, não tinha aparecido nenhum como o Maximini, do concelho de Penafiel. É composto por amigos que se começaram a juntar há uns três anos atrás para uns passeios de fim de semana em motorizadas antigas, e que, dos cinco ou 10 dos primeiros tempos passaram a cerca de 70 hoje em dia (das quais entre 40 e 50 deverão ir a Fátima). Só por si, a dimensão que o grupo conseguiu alcançar em tão pouco tempo já é digna de nota, mas o mais interessante é que os cerca de 70 são todos, ao que parece sem excepção, da mesma freguesia de Penafiel, a freguesia da Croca. Tendo a Croca uma população da ordem de 1700 habitantes, 70 motorizadas clássicas dá uma média de uma motorizada por 25 habitantes. Extrapolando esta relação para Portugal como um todo, isto equivaleria a termos 400.000 motorizadas antigas em Portugal. Era bonito, não era?

O mistério das Royal Nord "portuguesas"


Um dos artigos que mais trabalho dá a preparar na MotoClássica é o das fichas do mês. Embora num caso ou outro as informações que procuramos nos caiam, literalmente, do céu, noutros, na maioria, temos que vascular muita coisa, falar com quem mais percebe do assunto e verificar e voltar a verificar se tudo o que nos chega às mãos está correcto ou só mais ou menos. E mesmo assim, não obstante todos os esforços, muitas vezes isso não chega. Até se consegue descobrir umas coisas sobre a moto, ou scooter, em questão, mas fica a sensação que há algo mais que também deveríamos ter descoberto dela mas que, por um motivo ou outro não conseguimos. No mês passado, na preparação da ficha da Royal Nord Polaris, ficou-me essa sensação. Estava a acabar de escrever o que me parecia mais interessante sobre a dita e dei comigo a pensar porque haveria tão poucas Royal Nord em Portugal e como teriam vindo cá parar as que existem. Pensei que fosse daquelas coisas para as quais só teria resposta daqui a 50 anos ou na próxima encarnação, mas há uns dias atrás recebi um telefonema do Algarve, de um novo leitor da revista, que tinha ficado em polvorosa com a ficha da dita Royal Nord. E tudo porque tinha tido uma, mas não cá, em Angola, onde elas terão sido muito populares no começo dos anos 60. "Até aparecerem as japonesas", dizia ele, "Era o melhor que havia. Fazíamos sensação com elas". Ainda tivemos um bocado ao telefone e depois disto, fiquei a pensar: ainda não tenho resposta, e possivelmente nunca vou ter, ao facto de haver tão poucas Royal Nord por cá, mas é bem possível que as poucas que há, tenham vindo via Angola, depois do 25 de Abril. É uma hipótese, mas agora que tenho esta pista, temos que a seguir a ver no que dá. E há pelo menos uma outra pessoa que pode ajudar nisto, o Sr Leal, o "jovem" de Almancil de 92 anos que tem também uma Royal Nord Polaris (e que ainda anda com ela de vez em quando). Embora não seja fácil apanhá-lo, numa das próximas idas ao Algarve hei-de conseguir chegar à fala com ele. E se a Polaris dele também tiver vindo de Angola, é mais um ponto a favor desta teoria.