domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eles (também) estão a descobri-las


Se há região de Espanha onde se liga mais a tudo o que é português essa região é, indiscutivelmente, a Galiza. A proximidade, a língua e muitos dos costumes fazem com que quando lá vamos nos consigamos sentir quase como se estivéssemos em Portugal e faz também com que muitos galegos se sintam em casa quando passam a fronteira. Em face disto, não é de estranhar que a haver uma região do país vizinho onde mais cedo ou mais tarde se iria começar a apreciar as nossas "senhoras", esse lugar seria também a Galiza. Já há mais de um ano que pensava que isto poderia acontecer mas no sábado passado, no meio de um períplo de quase 1300kms de viagem pelo Portugal profundo a ver motos e a conhecer pessoalmente uma mão cheia dos já mais de 100 grupos que estão a participar activamente no projecto do Todos a Fátima, dei de caras, perto de Viana do Castelo, com este grupo de cinco amigos galegos e uma Mopede que estava ser montada no reboque do carro de um deles. Estava cheio de pressa - era meio dia e tinha um almoço às duas da tarde quase do outro lado de Portugal e ao qual só consegui chegar às 16.30, uf! - e não foi possível ficar a falar com eles muito tempo, mas ainda deu para "descobrir" umas coisas nomeadamente que a Mopede ia para Vigo e que, pelo menos na Galiza, há um número ainda pequeno mas cada vez maior de entusiastas de motos antigas interessados em máquinas portuguesas. Quanto à Mopede que se deixe de lágrimas quem possa ter pena dela ter ido para Espanha pois ela vai voltar cá, com alguma regularidade. E isto porque o seu novo dono -o homem da camisola verde, o Manolo - pretende vir participar com ela nalguns alguns passeios minhotos e está a organizar com mais três amigos irem em Junho ao Todos a Fátima. "No es muy cerca de Vigo", diz ele, "Pero participar en un record del mundo es una vez en la vida". Se a Mopede for legalizada lá em Vigo - o que é bem provável que aconteça pois estas coisas lá são 500 vezes mais fáceis que cá - vai ser engraçado vê-la com uma matrícula espanhola de motos históricas no meio das nossas "senhoras" todas!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A menos levezinha

Esta ainda não é bem clássica, mas aparenta, e ao que tudo indica, vai lá chegar. Foi concebida por um alemão de 39 anos, Tilo Nieber, que tinha como objectivo básico tão simplesmente fazer a moto mais pesada do mundo. Arranjou um grupo de amigos mecânicos e soldadores na sua cidade de Zilly, no centro da Alemanha, arranjou um motor a diesel de um tanque de guerra russo com 1,8 toneladas de peso e, todos juntos meteram mãos à obra. Para que a moto não perdesse o estatudo de moto, em vez de a fazerem com uma roda à frente e duas atrás, o que faria dela um trkie e não uma moto, o equilíbrio foi alcançado através de um sidecar construído à parte e depois acoplado ao corpo principal da moto. Ainda sem autorização de circulação em vias públicas, a Led Zeppelin, como é chamada, só se "passeia" em feiras e shows, mas Tilo ainda tem esperanças de um dia conseguir andar com ela pelo menos em estradas secundárias.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As mais vistosas

Quer se goste de motos quer não se lhes ache muita graça, o espectáculo dos domingos de manhã no Cabo da Roca, nas proximidades de Cascais, é daquelas coisas que vale a pena ver, nem que seja só uma vez na vida. Sobretudo quando não chove, a partir das oito, nove da manhã, começam a chegar ao promontório do Cabo motos. Primeiro umas poucas, depois mais umas, depois mais, e depois mais ainda. Num bom domingo de primavera ou do começo do verão, chegam a lá estar para cima de 400, quase todas motões. Hondas, Kawasakis, Yamahas, Suzukis, Bmws, Triumphs, Ducatis, KTMs e outras maravilhas modernas cheias de cavalos. É daqueles lugares onde, sobretudo quem tem moto, vai para ver e para ser visto, mas nos últimos tempos, o que tem dado mais nas vistas não é nenhuma bomba de cento e muitos cavalos made in Japan ou uma Goldwing ainda com mais cromados e leds que os que elas já trazem de fábrica. Não. O que agora está a dar são "gandas" máquinas como a SIS Sachs V5, a Famel Xf17, Macal M70 e outras que tal. A tal ponto que, segundo se diz quem lá vai - eu já não vou lá há uns bons meses mas tenho que ir - quando nestes dias chega ao Cabo algum autocarro cheio de turistas estrangeiros, se há motos que eles gostam de fotografar não são as bisarmas japonesas ou alemãs, ou italianas mas sim as "nossas" queridas cinquentinhas. Of course, man!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A tal

Um dos artigos mais interessantes da próxima MotoClássica é o levantamento dos muitos modelos da Vilar. É muito possível que ninguém saiba com total exactidão quantos modelos a marca de São Mamede de Infesta concebeu ao longo dos seus quase 40 anos de vida, mas uma coisa é certa. foram muitos, dezenas certamente. E de todos os tipos e feitios, desde motos com motor Villers até motorizadas e ciclomotores com motores das mais variadas orgiens. O que tentámos fazer foi um levantamento fotográfico o mais abrangente possível desta grande variedade de "máquinas". Graças a algumas ajudas preciosas, nomeadamente a de Carlos Martins do Old Moped, Filipe Viana de Monção, João Magarreiro da Terrugem e Ramiro Silva de Monte Redondo, conseguimos, pensamos, chegar bastante longe neste nosso propósito, mas sabíamos que entre os modelos que nos faltavam, havia um, bastante interessante que nos faltava, o da Perfecta Zundapp com depósito cromado. Ainda descobrimos um exemplar deste modelo no Minho, mas sem condições para ser fotografado, e por mais que procurássemos, nada. Parecia que não havia outro e tudo indicava que a revista ia ter que seguir para a grafica sem ele. Mas, assim como nos filmes dos cowboys, o "bom", muitas vezes aparece mesmo em cima da hora, aqui neste caso, poucas horas da revista começar a ser impressa, recebemos do Algarve, do Reinaldo e Álvaro Estaca, um mail - já prometido há algum tempo - de uma Perfecta que não fazíamos ideia do que seria. Calcule-se a surpresa quando, ao abrirmos o mail, descobrimos que a dita era nada mais nada menos que a tal Perfecta que já tínhamos perdido a esperança de conseguir em foto. Em bom português, foi porreiro, pá!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Daqui vamos pelo menos 100"

Manuel Raimundo, o homem da foto com cara de bem disposto, foi um dos 45 membros do Clube Famel de Fajões, no concelho de Oliveira de Azeméis, que no ano passado participou na peregrinação - só de Faméis -que o clube organizou a Fátima no final do verão. Este ano, a peregrinação vai ter lugar em Junho de modo a coincidir com o mega-encontro do Todos a Fátima e se tudo correr bem, Manuel, que está emigrado em França, também vai estar presente. Ele e mais 99 membros do clube pois segundo José Pinho, da sua direcção, este ano a peregrinação vai levar uns 100 homens a Fátima. "Ainda não tenho a certeza do número exacto", diz ele, "Mas vejo tanta gente entusiasmada com o encontro que daqui vamos pelo menos 100.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Foi assim que ele começou

Todas as Motos Clássicas têm artigos que, independentemente do trabalho que dão a preparar, nos dão mais "pica". No caso da próxima revista, que está mesmo a dar entrada na gráfica, e deve estar cá fora na próxima quinta-feira - um desses artigos foi a história de Mike Hailwood como um dos melhores pilotos de todos os tempos. E, apesar dessa vida estar bem documentada - o homem foi realmente fantástico, chegando a ganhar oito provas num dia e a conquistar quase três campeonatos mundiais no mesmo ano - da sua infância e juventude pouco sabíamos. A maior parte das suas biografias começam quando ela tinha 17 anos e correu a sua primeira prova, um troféu internacional de enduro na Escócia. Mas a vida tem destas coisas, e neste caso, o "esta coisa" foi ter-me cruzado este fim de semana com um bife que mora cá neste jardim à beira mar plantado e que também gosta muito de motos. Pois o bife, o inglês vá, estava a mostrar-me a garagem dele quando me deparo com um calendário de 1999 na parede, com uma foto do Hailwood (bem que eu digo que um bom calendário de motos é uma obra de arte, mais que qualquer outra coisa!). Conversa, puxa conversa, vim a saber que ele era grande admirador do dito, e que tinha um livro sobre a sua vida. Foi pelo tal livro - que se chama simplesmente "Mike" e é extremamente exaustivo em detalhes - que descobri a foto do post de hoje. O que ela mostra é Mike na sua primeira moto, uma mini-moto criada pelo seu pai Stan - na qual ele andava nos fins de semana. Na altura Mike tinha apenas 10 ou 11 anos e nem tinha força para apertar os travões da moto e a única maneira que tinha para parar era continuar a andar nela até ficar sem gasolina. É bem possível que esta vivência "forçada" com as motos o tenham ajudado a chegar onde chegou.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Os quatro amigos

Apesar do Algarve ser uma dos lugares de Portugal onde o fenómeno das motos e motorizadas antigas está mais espalhado, ainda há zonas da região onde se contam pelos dedos das mãos os apreciadores da "arte". Portimão é, ou era até à pouco, uma dessas regiões, e se algo está a mudar por lá, muito se deve a homens como estes amigos - José Urbano (o homem da V5 personalizada), Paulo Jorge (Kreidler Florett), Manuel Leandro (Macal M70) e Orlando Marreiros (KTM Super Export). Cada um como pode, os quatro têm feito muito para promover as "senhoras" na região. Em boa parte é graças a eles que se deve o grande sucesso do passeio de Chão das Donas o qual já é, de longe, o maior do barlavento algarvio e que este ano - com realização prevista para o primeiro fim de semana de Setembro - poderá vir a ter, pelo terceiro ano consecutivo, um novo recorde de participantes. Antes disso, porém, vamos poder encontrá-los numa série de outros passeios pois eles são daqueles que gostam de se montar nas máquinas, pelo menos, todos os fins de semana ou quase. Entre os seus planos de "saídas" conta-se o irem representar o concelho de Portimão a Fátima, só ainda não sabem como. São 450 kms até lá, mais 450 kms de volta, o que dá 900. "As máquinas aguentam", diz Orlando Marreiros, "O nosso problema é tempo. Como alguns de nós trabalham na hotelaria, o melhor que conseguimos fazer é sair sexta por volta da hora de almoço. Fazer 450 até ao fim do dia para depois estarmos descansados em Fátima no sábado não é fácil. Mas também não é impossível e até teria muita graça. Há uns anos atrás fomos daqui à Nazaré e ainda hoje nos rimos a contar histórias do que foi essa ida. Ainda vamos ver como fazemos".