quarta-feira, 23 de março de 2011

Relíquias pasteleiras

A última edição da Feira da Moita foi, à semelhança do que já é habitual nesta feira, algo bem mais pequeno que as feiras do norte mas interessante na mesma, e com algumas curiosidades daquelas que não se vê todos os dias. Algumas de motos mas outras de outras coisas como este mostruário dos anos 50/60 de chapas de marcas de bicicletas portuguesas dos anos 60. Foi um verdadeiro achado do algarvio Norberto Figueira e incluía as chapas de quadros de mais de 30 marcas diferentes, todas portuguesas. Faz parte de um lote de quase 1000 chapas que Norberto adquiriu de um antigo fabricante das mesmas, parte das quais estavam, a título individual ou em conjunto, à venda na Moita. Para quem goste de coisas portuguesas especiais ligadas às duas rodas, é um daqueles achados que só aparecem muito de vez em quando.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Do alto do mundo, ou quase

O beirão Luís André Costa, já decidiu: vem a Fátima, e vem a rolar por aí abaixo na sua Famel Mirage desde Manteigas, a sua terra, no topo da serra da Estrela. Há coisa de um mês atrás, tentou entusiasmar uns quantos amigos e vizinhos para virem com ele mas eles ainda não se decidiram e o bom do Luís não vai ficar mais à espera deles. "Eles agora que decidam mas eu vou e se for o caso vou sozinho", diz ele. "Por mais que lhes tenha dito que isto (de Fátima) não pode ficar para a última hora, ainda não se decidiram, e eu não estou para esperar. Já me inscrevi e pelo menos eu vou. E hei-de chegar a Fátima na Mirage, e depois hei-de voltar nela a Manteigas".

Por cá há uma, pelo menos

Lançada em 1985, a Honda XLV 750 R com dois cilindros em "V" foi a resposta da Honda à BMW GS80 e ao inesperado sucesso comercial que ela teve no seguimento dos bons resultados da marca alemã no Paris-Dakar. Era, e continua a ser, bonita até dizer chega, mas pesava 220 kgs em seco e tinha tanta tecnologia de ponta, incluindo veio de transmissão, ignições independentes para os dois cilindros, três válvulas por cilindro e outras coisas, que não ganhou grande fama em matéria de robustez e, com isso, não atingiu o volume de vendas esperado pela marca japonesa. Ao fim de três anos, em 1988, a sua produção foi descontinuada e no seu lugar ficaram outras motos da Honda mais específicas para utilizações mistas estrada-fora de estrada como a Varadero ou a Transalp. Foi o que se chama um "flop" comercial mas ao mesmo tempo uma daquelas motos com todo o potencial para vir a ser uma grande clássica. E ao que parece em Portugal há, pelo menos uma. Terá vindo dos Estados Unidos em caixotes e o homem que a comprou, no Alentejo, teria a ideia de a restaurar e montar, mas o trabalho ficou a meio, e a moto ficou esquecida durante anos. Há poucas semanas, porém, no seguimento de um artigo na MotoClássica do mês passado sobre o último leilão de motos em Las Vegas, em que uma XVR foi à "praça", o seu novo dono (a moto entretanto foi vendida, embora continue em caixotes), já está com a cabeça a fervilhar para a restaurar. Será que ainda a vamos ver o previlégio de ver uma XVR com matrícula portuguesa e, já agora, a rolar por aí? Era "muita" bonito. Era, era.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O "milagre" do Entroncamento

A Mayal com motor Casal de duas velocidades que António Pires, do Entroncamento, está a pensar levar a Fátima, tem história e, espera-se, futuro também. Durante mais de 20 anos, entre 1970 e 1992, foi a moto que o seu pai Fernando, marceneiro de profissão, usou para se deslocar todos os dias até Torres Novas, onde trabalhava, e quando o mesmo faleceu e António ficou com ela, fez questão de a manter como ela se encontrava quando o pai a usava. A única coisa que lhe faltava era que a sua filha única, a Shana, começasse a gostar também de motos para que ela um dia pudesse também preservar a Mayal. Até agora tal não tinha acontecido mas, sabe-se lá porquê, desde que o pai anunciou em casa que ia em Junho a Fátima, a jovem - que até aí mal sabia distinguir uma motorizada duma bicicleta - já comunicou ao pai que não só quer ir também como quer aprender a andar de motorizada. Santo encontro!

quinta-feira, 17 de março de 2011

A monocilíndrica, quase, sem limites


O entusiasmo nacional à volta do Todos de Fátima está a surpreender tanto como, digamos, o termos pela primeira vez desde o Afonso Henriques três equipas apuradas para os quartos de final da Liga Europa, mas assim como a vida não é só feita de futebol, há muitas outras coisas interessantes nas motos antigas para lá de Fátima. E uma delas é um dos artigos da próxima MotoClássica. De há uns sete meses para cá, temos vindo a falar na revista sobre o historial de várias grandes marcas no mundo das corridas. Começámos com as très marcas italianas com mais "pedigree" nestas coisas (primeiro a Gilera, depois a Moto Guzzi e depois a MV Agusta) depois continuámos com as japonesas (Honda, Suzuki, Yamaha e no mês passado a Kawasaki)e este mês começamos com as inglesas, a primeira das quais é a Norton. E eu que pensava que até já sabia umas coisas sobre a marca - ou não fosse a Norton Commando uma das motos que hei-de um dia ter quando tiver garagem para isso - vim a descobrir uma montanha de coisas que afinal não sabia. Dados históricos, pequenos detalhes, curiosidades e outras coisas. O artigo da marca foi acabado ontem, uf, e embora me tenham ficado mil e um pormenores dele na cabeça, há um que é, muito provavelmente, o mais interessante de todos. É a constatação de como primeiro James Norton, o fundador da marca, e depois os engenheiros que o sucederam no departamento de novos projectos da Norton, como eles foram prodigiosos no desenvolvimento, ao longo de quase 50 anos, de uma família de monocilindrícos primeiro de 500cc e depois 350cc também, todos eles evoluções do motor da primeira Norton - a Model 1 ou "Energette" - concebida por James ainda antes de 1910 e que, praticamente até ao fim se mantiveram extremamente competitivos. É obra!

segunda-feira, 14 de março de 2011

O nosso "afegão"

Há quem venha de longe para o Todos a Fátima. Há quem venha do Minho, de Trás os Montes, das Beiras Interiores, dos Alentejos ou dos Algarves, e há até quem venha de Espanha, França ou Luxemburgo. Ninguém, no entanto, deverá fazer tantos quilómetros (se bem que a maior parte de avião) como o alentejano José Grego que tem esta Casal de quatro e outras preciosidades em casa mas que neste momento está no Afeganistão, inserido no contingente português que lá está ao serviço da ONU. Pois o Zé, que aqui aparece com o seu filho João - também ele entusiasta de motos como se está a ver - vai estar por aquelas paragens até Outubro mas conseguiu umas mini-férias na primeira quinzena de Junho e um dos grandes programas que tem enquanto cá vais estar, imagine-se qual é? Ir a Fátima com os amigos, ora pois. Zé vai vir a rolar desde Odemira, integrado no grupo da Sociedade Recreativa e Musical São Luís que deverá contar com 30 participantes um pouco de todo o concelho de Odemira mas a sua Casal quase de certeza que não vai ser muito difícil de identificar. E isto porque Odemira tem a fama, e o proveito, de ser das terras de Portugal onde mais se venderam Zundapps. Por outras palavras, não será de estranhar se à chegada a Fátima, entre os 30 participantes do grupo, 20 ou mais vierem montados em Zundapps. Mas se assim for, descobrir o nosso "afegão" e a sua Casal no meio daquilo tudo não vai ser tão difícil.

domingo, 13 de março de 2011

Quem diria!


Quem diria? Quem diria que o tema da Vilar seria tão interessante como tema de capa da MotoClássica? Eu, confesso,nunca me arriscaria a dizê-lo. Quando decidi fazer da marca de São Mamede de Infesta o tema principal da última revista, fi-lo mais na convicção que a Vilar merecia um dia ser capa que outra coisa. Pensei, sinceramente, que não havia muita gente interessada nesta confusão de modelos que à primeira vist parece que nunca mais acabam mas pensei também que, independentemente disso, a revista tinha a obrigação de ajudar a esclarecer o que pudesse ser esclarecido sobre o que foi o grande enredo "vilaresco". Pensei que o artigo ia ser lido e "punto" como dizem os espanhóis, mas não. Tirando as revistas que já tivemos dedicadas às duas motorizadas mais queridas deste país - a V5 e a Xf17 - nunca tivemos nenhuma MotoClássica cujo artigo principal fosse tão comentado. Só leitores a enviarem-nos fotos com modelos que falámos ou não falámos no artigo terão sido uns 10 e fora isso ainda tivemos uns quantos telefonemas, mails e cartas com gente a falar na marca e neste ou naquele modelo. Fazer esta revista todos os meses com uma estrutura pequena como a nossa cansa, mas com tanto feedback é caso para dizer que quem corre por gosto não cansa.