segunda-feira, 11 de abril de 2011

Entre carros e motos


Como já se adivinhava, a última edição da Motorclássico, que teve lugar na Fil de Lisboa no passado fim de semana, tinha bastantes mais carros que motos mas quem lá foi a pensar em duas rodas não terá vindo embora desiludido. E isto porque para além do agradável que é, sempre, ver-se também carros antigos, ainda por lá havia umas "senhoras", sobretudo japonesas dos anos 70 e 80 mas não só. Luís Botelho, por exemplo, tinha em exposição três espectaculares máquinas da primeira metade do século passado, incluindo uma Bmw 42, o ACP Clássicos tinha duas Nortons dos anos 30 imaculadamente restauradas, uma empresa de Álcacer do Sal pouco conhecida no meio, a Interclássicos, tinha algumas raridades como um ATC 90, a Unique Bikes do Porto também tinha coisas engraçadas, e uma empresa nova de Lisboa, a Pura Pressão, apresentou no evento um processo aparentemente revolucionário de decapagem. Mas como se isto tudo não fosse já razoável, há ainda outro motivo para dizermos que este Motorclássico foi "fixe". É que já a pensar no ano que vem, a Fundação Abel Lacerda, os organizadores do certame, prometem grandes novidades em relação às motos, nomeadamente um espaço - a preços camaradas - só para o pessoal das peças e ainda um leilão de motos a acompanhar o de carros (que já teve lugar este ano e não correu mal para primiera vez). Se isto for para a frente, e a contar com o entusiasmo cada vez maior que se vive também aqui no Sul à volta das clássicas, é possílve que dentro de dois ou três anos tenhamos (também aqui) uma boa feira de motos.

domingo, 10 de abril de 2011

Começou tudo com a Pati


Há aldeias neste nosso país que se a sua importância se medisse pelo dinamismo da terra em motos clássicas, elas (as terras) eram tão ou mais importantes que muitas cidades. O Rebocho é uma dessas terras. Situado a poucos quilómetros de Coruche, a sua população não deve ultrapassar as 500 almas, mas graças a uns quantos carolas e interessados nestas coisas só na terra deve haver umas 50 máquinas de duas rodas ditas já antigas. Entre os vários apaixonados destas coisas, um deles é o Manuel Faustino, mecânico de profissão e habilidoso em Floretts e outras máquinas que tais. Quando o projecto do Todos a Fátima arrancou foi uma das pessoas que contactei para lhe apresentar a ideia e ver se o entusiasmava a estar presente. Na altura, o bom do Manuel disse que não sabia, que ia pensar e que ia ver mas a filha, a Patrícia, ou Pati para os amigos, estava ao seu lado a ouvir a conversa, virou-se para o pai e para mim e, com um sorriso malandro nos olhos disse sem hesitações: "Eu vou". Ficámo-nos por aqui e há uns dias atrás, recebi umas fotos que vinham só com o título "O Grupo do Rebocho". Eram enviadas por ela a qual, à laia das fotos, deixou uma pequena nota em que dizia "Nem todos puderam estar presentes para a foto, mas para já somos 17, e com tendência para aumentar"! Fixe, fixe!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O grupo de Alpiarça

Alpiarça, assim como Almeirim, são duas terras cheias de tradição em matéria de clássicas e onde ainda hoje se podem ver muitas máquinas de duas rodas do antigamente a circular nas ruas mas, tanto num caso como no outro, a grande maioria das "senhoras" são Vespas. Embora não haja nenhum levantamento exaustivo sobre o parque "vespista" nos dois concelhos, pensa-se que só em Alpiarça haverá mais de 100 máquinas e em Almeirim quase outro tanto e tanto num lugar como noutro há clubes, ou núcleos de amigos das Vespas, o mais conhecido dos quais é o Vespáguias de Alpiarça que ainda há poucos dias atrás juntou 170 Vespas no seu encontro anual. Pois pese tudo isto, também há algumas motorizadas antigas na região e os homens do Vespáguias já conseguiram criar um grupo de sete apaixonados destas coisas para o Todos a Fátima. Todos vespistas, ora pois!

terça-feira, 5 de abril de 2011

A oficina da família Pinho

Há já uns bons meses que estava para ir conhecer a garagem da família Pinho, em Fajões, algures entre Oliveira de Azeméis e Arouca. Como ainda fica a uns bons quilómetros das "As" e das "Ns" que mais costumo utilizar nas minhas travessias de norte a sul e de leste a oeste do país para ver motos, não estava fácil e foi sendo adiado e mais adiado até que neste fim de semana, não sei que me deu na tola, disse a mim próprio que tinha mesmo que lá ir e fui. Demorei uma eternidade a lá chegar, mas valeu a pena. Se valeu. A começar pela família Pinho em si, o pai e os filhos, os amigos, e as motos, claro. A sua paixão pelas Xf é conhecida de norte a sul do país. O seu Clube Xf de Fajões tem quase 50 membros e apesar de quando lá fui ser sábado à tarde, e já bem tarde, não só não se parava de trabalhar na oficina como era um entrar e sair de gente, uns que iam só ver o o que o pai e os dois filhos estavam a fazer enquanto outros queriam ir saber se a sua motorizada já estava pronta ou se eles conseguiam arranjar esta ou aquela peça. A bem dizer da verdade, parecia uma boa oficina do antigamente. Cheia de trabalho e cheia de gente bem disposta. Haja mais sábados assim. Ps Na foto acima pode ver-se, o pai (na ponta direita da foto), os dois filhos - Zé, na ponta esquerda e de mãos nos bolsos e o irmão Tomé, ao seu lado - e ainda um dos muitos amigos da casa, Vitór Almeida (que só entre ele e o irmão têm sete Xfs). Ps2 Pelo sim, pelo não, o pai "Pilão" já tem reservados 200 quilos de carne de porco e mais não sei quanto em mantimentos para fazer uma boa almoçarada para a caravana do Clube que vai a Fátima. "Pelo menos 40 vamos ser", diz ele, "Mas até podemos ser 50 ou 60. Nas próximas semanas vamos ver". Uf.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O passeio diferente


Um encontro de motos antigas promovido por uma Junta de Freguesia e de apoio a um clube de futebol? À partida pode parecer algo tão irreal como um bom filme de Pedro Almodovar ou Frederico Fellini em que saímos de lá com a cabeça a andar meio à roda mas, pensando bem, porque não? Terá sido algo parecido com isto que António Parada, o energético presidente da Junta Freguesia de Matosinhos, e um ferveroso adepto das motorizadas clássicas pensou, quando lhe surgiu a ideia de uma manifestação "rolante" de apoio ao clube de futebol da terra, o Leixões. O passeio era aberto a todo o tipo de véiculos mas o senhor presidente fez questão de vir montado na sua Titan Zundapp (a precisar de um bom restauro, diga-se) e ainda teve a acompanhá-lo meia dúzia de outros apaixonados destas coisas lá de Matosinhos. A título de curiosidade, diga-se que o mesmo presidente é um dos três presidentes de juntas de freguesia que estão previstos vir ao encontro de Fátima. No caso de António Parada, vai, ou vem, com um dos cinco grupos de Matosinhos que já se associaram ao "big event".

domingo, 3 de abril de 2011

Perdido, lá no sotão


Um dos programas de televisão dos Estados Unidos que está mais na berra é o "Auction Hunters" que em português e levando em conta o contexto do programa, se poderia traduzir por algo como "Caçadores de Leilões de Garagem". O programa é apresentado por dois homens o Tom e o Allen que parece terem tanto a ver um com o outro como um pastel de nata e um sobreiro do Alentejo. Tom tem um aspecto todo jeitoso - cabelinho bem cortado, barba feita, aspecto atlético - enquanto o Allen parece um beberolas cheio de tatuagens e aspecto meio assustador. Os dois andam pelos Estados Unidos a fora à procura dos chamados leilões de garagem, algo muito popular nos países anglófonos e que na prática consiste na venda de tudo e mais alguma coisa que se tenha na garagem ou no sotão e de que nos queiramos desfazer. A maior parte das vezes as coisas que aparecem não têm grande interesse mas no meio de tudo aquilo tem aparecido, imagine-se uma ou outra moto antiga, como esta Indian do começo do século passado, Harleys dos anos 50 e outras, o que tem feito que um número crescente de coleccionadores de motos comece a estar de olhos postos no pequeno ecrã à espera de aparecer "aquela" pechincha. Será que ninguém neste país de gente esperta e desenrascada quer pegar na ideia e propor a um dos nossos canais de televisão fazer algo similar? Quantas Casais, quantas Sachs, quantas Vespas e quantas Matchless, Triumphs e outras coisas não iriam aparecer?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Preciosidades de Vila Real, procuram-se


Já a pensar na próxima MotoClássica, um dos assuntos que temos previsto falar nela é Vila Real, ou melhor falando as corridas de motos de Vila Real. A "pica" à volta do assunto começou com este homem, Joaquim Maio Marquês, um beirão da primeira metade do século passado. Tinha a paixão das motos e, sem ser nenhum "pró" na matéria, não descansou enquanto um dia, em 1936, não participou em Vila Real. Só ele já dá uma boa história. Mas se outras houver, melhor. Se souber de alguma relacionada com este mítico circuito, somos todos de ouvidos!