segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Descoberta à porta do café


Apesar de ter sido, juntamente com Aveiro, um dos dois principais pólos industriais da indústria de motorizadas nacional, a cidade de Águeda também tem grandes tradições em matéria de Vespas, seja pelo número de utilizadores deste tipo de máquinas de duas rodas no antigamente, seja pelas boas coleções de Vespas em particular e scooters em geral que existem hoje em dia na zona. Vai daí que o passeio anual do Vespa Clube de Águeda, cuja edição deste ano se realizou ontem, é sempre palco de atenções redobradas dos amantes de Vespas pois há sempre boas chances de se descobrir no mesmo alguma scooter clássica "nova" interessante. Este ano não foi excepção mas entre as novidades havia uma que ressaltava aos olhos, se assim se pode dizer. Era uma Vespa 50 SS dos anos 60, imaculadamente restaurada e que fez neste passeio a sua estreita de estrada como mota de coleção. A moto é lindísima, mas a sua história é melhor ainda. É que ela foi descoberta pelo seu actual proprietário, Nuno Oliveira, num café duma aldeia próxima de Águeda, sendo que o anterior dono, um pouco a leste destas coisas de clássicas, usava-a no dia-a-dia e tinha-a como uma Vespa "não tão bonita" como as 50 normais. Escusado será dizer que o Nuno não descansou enquanto não comprou a moto, a mesma tendo sido, muito naturalmente, o "menino bonito" do passeio.

domingo, 18 de setembro de 2011

De autocarro para cima, e de KTM para baixo


Lisboa de nascimento, alentejano do coração e sócio ferveroso do Moto Clube de Almodovar por paixão, César Campos era, até à pouco tempo atrás, daqueles apaixonados por motos que ligava pouco ou nada a clássicas. O mundo das duas rodas para ele era só motos modernas e entre as máquinas que tinha, e ainda tem, contava-se duas boas "bombas", uma BMW RT1100 e uma Honda CBR900. Há uns meses atrás, no entanto, começou a interessar-se por "senhoras" e pouco antes do Todos a Fátima, com a ajuda de amigos mais entendidos nestas coisas, comprou uma, uma Famel 77. A moto no entanto não o agradou totalmente, e passadas poucas semanas do evento César vendeu-a para a trocar por algo mais exclusivo. Esse algo apareceu-lhe mais recentemente na forma de uma KTM Super Export com motor Sachs em estado razoável e por um preço jeitoso de 500 euros. O problema é que a moto estava em São João da Madeira, a quase 300 kms de Loures, onde César mora. Para muita gente, a solução seria ou ir buscar a moto numa carrinha ou contratar uma transportadora para a trazer para casa mas César teve outra ideia. Meteu-se num autocarro em Lisboa, foi até São João da Madeira, fechou o negócio, e meteu-se pela N1 a fora, em direcção a Odivelas, onde chegou, com a máquina, após seis horas de viagem. "O homem que ma vendeu", diz ele, "Disse-me que eu era maluco e que apesar da moto estar a andar, ela não ia aguentar, mas trazer a moto por estrada foi muito mais divertido, e barato, que trazê-la de outra forma. Fazer estes quilómetros todos numa moto grande pode ser mais confortável, mas fazer nesta "menina" é muito mais divertido".

sábado, 17 de setembro de 2011

O Bart do Algarve


Aqui há uns anos atrás tive a oportunidade de fazer 5000 kms por terras marroquinas integrado num grupo de 20 BMWs modernas com todos os apoios e mordomias. Ainda hoje, e já lá vão uns quatro ou cinco anos, os 10 dias que passei naquelas terras, as paisagens, as pessoas e a camaradagem entre o pessoal do grupo ficaram-me marcados como dos melhores momentos da minha vida. Desde há poucos dias atrás, porém, tive que passar a olhar para esta aventura numa perspectiva um pouco diferente. Tudo porque me cruzei com um holandês amante de motos clássicas, o Bart, que agora reside em Portugal, e que há coisa de um ou dois anos atrás, depois de ter acabado um curso superior na Holanda, resolveu ir passar três semanas à Índia. As três semanas transformaram-se em seis meses e quando ele decidiu que estava na hora de voltar à Holanda decidiu, sabe-se lá como e porquê, que era mais engraçado vir numa moto antiga que de avião. Arranjou uma Royal Enfield com 35 anos, meteu-lhe um travão de disco à frente para a tornar mais segura, ou menos insegura, e veio por aí a fora, atravessando países como o Paquistão, o Afeganistão (sim, o Afeganistão), Irão e a Turquia. Uma grande aventura. Muito grande, mesmo. E de que vamos falar numa das próximas SóClássicas!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quem disse que o Alentejo é só chaparros e vacas?


Domingo passado, fez-se história no mundo das motos clássicas em Portugal Foi em Almodovar City, no coração do Baixo Alentejo, no passeio anual de motorizadas e motos antigas local. No ano passado, com 315 participantes, o passeio já se tinha destacado como um dos maiores de Portugal. Para este ano, os organizadores, o Moto Clube de Almodovar (MCA), tinham como meta atingir um número parecido mas, pelo sim pelo não, prepararam o evento para 350 máquinas.Este número, porém, não só foi batido, como ainda terá havido mais umas 10 a 20 "senhoras" que tiveram que fazer o passeio "à pendura" por já não haver condições para as mesmas participarem oficialmente no dito. "O segredo", diz Luís Botelho, um dos responsáveis do MCA, "é simples. Muita dedicação do clube, hospitalidade qb, paisagens deslumbrantes e um almoço típico da serra de Monchique".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Ossa sueca

Michel Clerenbeek, um sueco que vive em Madrid, tinha um problema. Sentia-se profundamente sueco e fazia questão de o demonstrar no dia-a-dia mas, ao mesmo tempo, era um apaixonado por muita coisa espanhola, designadamente tudo o que tivesse a ver com Ossas. A solução? Pintar a Ossa 160 T do final dos anos 60 que usava, e usa, no dia-a-dia, com as cores do seu país, azul claro e amarelo torrado. A moto poderá não ter ficado a Ossa mais bonita do mundo, mas Michel deixou de se preocupar com este seu "amor" dividido. E além disso passou também a ficar menos preocupado de lhe roubarem a moto. Afinal, quem quer uma Ossa toda pintada de azul claro e amarelo torrado? Só um sueco, claro.


E um deles, o sueco

Por nada deste mundo!


Floretts ainda há umas quantas por aí, felizmente, umas mais antigas, outras mais modernas, e umas em melhor estado que outras. A que o alentejano João Pedro Troles, de Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, arranjou, é das mais raras. É uma 57 (de 1957) e João Pedro, que até há pouco tempo atrás só se interessava por japonesas modernas, comprou-a no ano passado para a restaurar, para ir a Fátima. Gastou um bom bocado de dinheiro nela, em peças, na pintura, nos cromados e outros, e o certo é que a moto ficou muito bonita. Foi a Fátima, voltou e de vez em quando é usada para umas voltas. Como aconteceu há uns dias atrás, quando estava a fazer uma obra na Vidigueira. A sua Honda Hornet com que anda no dia a dia estava na revisão e João Pedro não teve meias medidas. Meteu-se na Florett e fez dela o seu meio de transporte naquele dia. Só que a vida tem voltas e voltas e aconteceu que o empresário lisboeta para quem estava a fazer a obra viu-o chegar na Florett e encantou-se com a "menina". De tal forma que não largou o nosso amigo e, ali, na hora, ofereceu-lhe 7000 euros por ela. Para muita gente, a oferta teria sido irrecusável. Afinal 7000 euros são 7000 euros. Mas não para João Pedro que após pensar um pouco, agradeceu e declinou sem hesitação o dinheiro. "Com 7000 euros, diz ele, "Até comprava outra, ou outras, Florett 57 e restaurava-a ou restaurava-as também, mas esta foi a minha primeira clássica e gosto tanto dela que acho que nunca a vou vender"

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Naqueles tempos

Estávamos aqui a pesquisar uma MZ TS na net quando nos surgiu esta maravilhosa foto. Não fazemos ieia onde foi tirada nem que modelo de MZ é , mas é certamente uma máquina de competição da marca da ex-Alemanha de Leste, possivelmente uma 250. E deve ser do tempo em que elas andavam bem lá frente, na categoria de 250cc, nos anos 70. Que velocidade daria este "bicho"? E quem seria o seu piloto? Seria o grande Ernst Degner que deu à marca um espectacular quinto lugar num campeonato do mundo nessa década? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas seja o que for, é, uma grande fotografia e é de nos pôr a imaginar o que seria isto, afinadinho, numa pista daqueles tempos.