domingo, 15 de janeiro de 2012

A Carmelita que (também) deve ir a Fátima

Como acontece com todas as outras marcas de motos, na Famel há modelos que são mais raros. Dos anos 70 e 80 ainda se consegue descobrir sem grandes dificuldades quase todos os modelos, mas quando começamos a andar para trás, para os anos 50 e 60, as coisas complicam-se. E se alguns dos modelos destas duas décadas ainda aparecem de vez em quando, outros há que parecem extintos, ou quase. A Carmelita, dos anos 60, é um bom exemplo disso. Fabricada no começo dos anos 60, ter-se-ão fabricado no máximo 1000 exemplares da mesma e hoje em dia é capaz de não restarem mais de quatro ou cinco por aí. Uma porém, deu recentemente,á costa. É da região de Lisboa e o seu proprietário, Joaquim Vilela, comprou-a nova em 1962. Usou-a durante anos como meio de transporte mas quando arranjou dinheiro para comprar um carro, deixou-a a descansar na garagem. Ainda a usou algumas vezes mas entretanto foi-a "modernizando" a nível de óptica, banco, suspensão e guarda-lamas. Agora, com a "febre" das 50, ressuscitou-a e está a restaurá-la. "O que eu gostava mesmo", diz ele, "Era tê-la pronta a tempo de ir a Fátima. Vamos ver se consigo". Consegue, Sr Joaquim. A moto até nem está em muito mau estado, e as peças que lhe faltam arranjam-se. Dia 02 de Junho, lá esperamos por si!

domingo, 8 de janeiro de 2012

O vencedor de 1951

Entre os mais de 30 ou 40 temas abordados na próxima SóClássicas, um dos principais é a grande história da Norton Manx, a desportiva inglesa mais famosa de sempre. Com 12 páginas, o artigo centra-se, naturalmente, nesta grande moto mas ao se falar na Manx é impossível ou quase não se falar de três ou quatro pilotos britânicos e irlandeses que tanto contribuíram para a espectacular fama desta grande moto. Os dois mais famosos são Stanley Woods e Jimmy Gunthrie, mas Geoff Duke, o homem que aqui vemos a caminho do pódio depois de ganhar a prova Senior (500cc) do TT da Ilha de Mann de 1951 também merece um louvor. Embora só tenha sido piloto da Norton durante três anos, de 1950 a 52, ganhou quatro provas do TT nesse curto espaço de tempo, duas na classe Senior e duas na Junior (350cc). Stanley Woods, nos seus tempos auréos dos anos 20 e 30 ganhou o TT 14 vezes, mas a vitória de Geoff Duke em 1951 foi única. E isto por um motivo. É que além de ter ganho as provas Senior e Junior, tanto numa prova como na outra, chegou à meta também à frente de um verdadeiro exército e Manxs. Na prova Senior, havia nove Manxs entre os 10 primeiros classificaos, e na Junior cinco. Nunca, nem antes nem depois, a Norton, e a Manx, tiveram um resultado tão espectacular nesta mítica prova. Passado pouco tempo, em 1953, a Manx iria passar a ter um concorrente de peso, a Gilera, mas durante anos e anos, muitos inglesas quando queriam falar da excelência das motos inglesas em competição, era da vitória de Geooff e das Manx no TT de 51 que eles se lembravam.

Á porta do Café do Jorge

Na Póvoa do Varzim há talvez uns 50 cafés e pastelarias, mais coisa menos coisa, mas nenhum como o Coffee Break de Jorge Monteiro. É que o café, nem se sabe bem como, tornou-se o centro dos aficionados das motorizadas antigas desta simpática cidade à beira-mar plantada. E tudo, ou quase tudo, porque o Jorge, que já gostava de motos modernas, no ano passado, e quase em cima da hora, resolveu comprar uma Fórmula I e ir ao Encontro de Fátima com um amigo. Foram, voltaram e gostaram tanto que o Jorge não só já se está a preparar para ir outra vez este ano - possivelmente com uma Florett - como não se tem cansado de "meter o bichinho" aos vizinhos e amigos. Segundo ele, "Uma coisa, pelo menos posso garantir. É que daqui da Póvoa e arredores não vamos ser nem dois nem três. Vamos ser talvez mais de 10". Fixe, fixe!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A revolucionária de 1913

No começo dos anos 10, as Douglas com dois cilindros deitados longitudinalmente e opostos eram das motos que mais se vendiam no Reino Unido. Era um caso único ou quase pois a esmagadora maioria das marcas preferia motores monocilíndricos mas a Douglas dava-se bem com este conceito e as suas motos vendiam-se muito bem. Elas tinham, no entanto, um problema, a refrigeração do cilindro virado para trás o qual, naturalmente, apanhava muito menos ar que o cilindro frontal. Entre 1912 e 1913 a Douglas ainda desenvolveu um projecto, revolucionário para a altura, dum sistema de refrigeração a água o qual, adaptado ao motor, poderia resolver de vez o problema mas havia dúvidas sobre a sua fiabilidade e a Douglas não queria arriscar a sua excelente reputação numa inovação destas sem todas as certezas. O inglês Willaim "Billy" Williamson, porém, não tinha dúvidas sobre a refrigeração a água. Tendo já trabalhado alguns anos na direção de uma outra marca de motos inglesa da altura, a Rex, já tinha estado ligado a testes com este tipo de refrigeração e mostrava-se confiante que o mesmo podia funcionar sem problemas. Graças ao seu entusiasmo, a Douglas acedeu a criar uma parceria com a empresa por ele criada, a Williamson, para a produção experimental de uma moto, que utilizaria o motor boxer da Douglas com um sistema de refrigeração a água montado em "L". Foram feitos dois modelos experimentais, um dos quais o da foto, que parece terem-se mostrado encorajadores, só que entretanto rebentou a primeira guerra mundial e o projecto teve que ser interrompido. Com o fim da guerra em 1918, Billy pegou outra vez na Williamson e em 1919 começou a montar uma linha de produção para a moto. Infelizmente, quando ainda só tinha 20 máquinas prontas, apanhou uma pneumonia e morreu em poucos dias. Como resultado disso, só terão chegado aos dias de hoje duas Williamson. Que, escusado será dizer, valem uma pequena fortuna. Até hoje nenhuma foi vendida num leilão público mas os especialistas da Bonham's, a maior casa de leilões do mundo, estimam que se um dia uma delas fosse posta à venda, o seu valor de venda poderia chegar aos 350.000 a 400.000 euros.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O ganda presente de fim de ano

Não é todos os dias que se "descobre" uma clássica no meio de silvas e mato mas no final do ano passado, foi descoberta uma "senhora" nos arredores de Monção, só que não era uma senhora qualquer. Era uma Vilar Pachancho, um dos ciclomotores nacionais mais raros que existem. O achado terá sido possível por um familiar do antigo dono ter ideia que há muitos anos atrás o primo se tinha desfeito duma "bicicleta com motor" numa zona erma dum baldio. Primeiro pensou-se que seria só história mas há semanas atrás, alguns conterrâneos resolveram passar a zona a pente fino e lá a descobriram, por milagre ou quase em muito bom estado. E como uma coisa destas não é para ficar por aqui, a máquina já começou a ser restaurada e se tudo correr bem, talvez ainda esteja pronta a tempo de ir ao Todos a Fátima, no grupo dos Cruzadores de Monção que no ano passado já deu nas vistas com as suas duas Cruzadores, e outras velhinhas bem velhinhas!

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Puch 50 com sidecar que faz sensação

Embora pouco conhecida em Portugal, a Puch DS50 do começo dos anos 60 ainda teve uma boa saída em mercados como a Alemanha, Austria, Holanda, Reino Unido e Suíça onde a marca austríaca tinha mais presença na época. Nenhuma das cerca de 10.000 que foram produzidas, porém, será hoje em dia tão conhecida como esta holandesa com sidecar. A moto terá sido comprada nova na cidade de Breda, no sul do país, pelo pai do actual dono que a utilizava para ir para o trabalho e para levar o filho à escola, o sidecar tendo sido feito - a imitar os sidecars de topo de gama da Steib - e instalado para este fim. Ainda no final da década de 60, a família comprou um carro e a Puch foi encostada num fundo da garagem lá em casa mas há poucos anos atrás, o filho decidiu restaurá-la a rigor e o resultado é que a bonita DS50 se transformou numa das principais atrações dos encontros de clássicas do país.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A vitória do Zacarias, só com uma mão



Nos últimos 30 anos, a Espanha tem sido dos países com mais campeões do mundo de motociclismo. Grandes pilotos como Angel Nieto, Jorge Martinez, Alex Crivillé, Dani Pedrosa e mais recentemente Jorge Lorenzo fazem com que o país vizinho, a par de Itália, Reino Unido e Estados Unidos, seja hoje em dia um dos quatro países do mundo com mais "champs". Muito antes deles, porém, a terra de Cervantes já tinha grandes ases nestas artes e Zacarias Mateos, que correu nos anos 20, terá sido um deles. Natural de Zamora, era especialista em provas de longa duração, foi campeão espanhol em várias classes ao longo da década e ainda conseguiu, em 1923, bater o recorde do mundo do quilómetro lançado com uma Doulgas de 500cc. A proeza pela qual ficou mais conhecido, porém, terá sido a vitória que conseguiu no Grande Prémio de Tarragona em 1922, com um braço só. Disputado num circuito de 30,3 kms de extensão que passava pelo centro de Tarragona e outras localidades vizinhas, a prova tinha um total de sete voltas, ou 210 quilómetros, e contava com 32 participantes. Ao fim da terceira volta, Zacarias, que seguia em primeiro lugar, caiu com a sua Harley V Twin de 1000cc e desfez todo o lado esquerdo do guiador. A manete da embraiagem também ficou desfeita mas o cabo ficou preso à mesa da direção. Perante um cenário destes, o mais natural seria desistir, mas Zacarias, após olhar por uns segundos para a moto, montou-se nela e decidiu continuar.


Ainda lhe faltavam 120 quilómetros e dado o sistema de mudanças de mão da Harley, cada vez que tivesse que mudar de mudanças tinha que tirar a mão "boa" do guiador para acionar o selector, e segurar a moto com a esquerda no lado direito. Só o chegar ao fim da prova nestas condições já seria um feito mas Zacarias foi mais longe pois, mesmo assim, conseguiu ganhar a prova. Com 15 minutos de avanço em relação ao segundo classificado. Pena naquela altura não haver ainda televisão e transmissão das provas de motociclismo em directos. Hoje deliciaríamonos a ver e rever provas como esta.