sexta-feira, 9 de março de 2012

O "milagre" da sucata de Monção

Se um dia numa arrumação dos confins da garagem lá de casa descobríssemos esta BSA Winged Wheel, com motor auxiliar, que faríamos com ela? Ou nos encantaríamos e começaríamos a pensar em restaurá-la ou se tal não tivesse nos nossos horizontes, provavelmente, tentaríamos saber o seu valor e trataríamos de a vender, não é? É o que parece lógico mas em Monção, há coisa de dois meses atrás, quem descobriu esta maravilha terá olhado para ela e só terá visto um monte de ferrugem que estava a ocupar espaço. Vai daí que foi colocar a BSA na lixeira local para ser levado por algum sucateiro. E assim foi. Por sorte, o sucateiro tinha alguma sensibilidade para estas coisas e em vez de olhar para a BSA, como muitos (infelizmente) fariam e só ver nela uns quantos quilos de ferro, teve um pressentimento que a dita seria mais que isso. Perguntou aqui e ali e descobriu que apesar de não ser nenhum tesouro de Ali Babá ainda valia uns euros. Felizmente para a BSA, e para todos nós que gostamos destas coisas, a máquina acabou por ir parar a boas mãos, à coleção de José Pereira em Felgueiras. E ao que tudo indica dentro de uns meses a sua passagem pela lixeira de Monção não vai ser mais que uma memória do passado pois, fiel ao seu princípio de restaurar as suas máquinas da sua coleção a rigor, Zé vai certamente fazer dela uma das BSA Winged Wheel mais bem restauradas do planeta!

quinta-feira, 8 de março de 2012

O último trunfo da Zundapp

Durante boa parte das décadas de 50 e 60, a Zundapp alemã, juntamente com a Kreidler também alemã e a Motom italiana, foi um dos maiores fabricantes mundiais de motorizadas assim como de motos de pequenas cilindradas. A sua gama Combinette e depois a linha KS, venderam-se aos milhões e ajudaram a marca a conseguir recuperar uma boa parte do prestígio e importância que tinha antes da segunda guerra mundial. No final da década de 60, no entanto, tudo mudou. A maior parte da Europa deixou de comprar motorizadas como veículos de trabalho - Portugal, juntamente com a Grécia, eram um caso à parte - e a Zundapp, de repente, viu-se obrigada a descobrir novos nichos de mercado para sobreviver. Um desses nichos foram as motos de cross e apesar dos fabricantes japoneses em geral, e da Yamaha em particular, já estarem na altura a "montar" um verdadeiro assalto a esta área, a Zundapp concebeu uma moto revolucionária de offroad, a Zundapp 125 MC, que não só ganhou o campeonato alemão de cross durante cinco anos consecutivos, entre 1971 e 1975, como também a primeira edição da classe de 125cc do Troféu Internacional de Motocross da FIM também em 75. É bem possível que a moto pudesse ter mudado a sorte da marca, mas os problemas financeiros da Zundapp eram cada vez maiores e não só não foi possível arranjar dinheiro para desenvolver a gama para outras cilindradas ou para promover a MC nos Estados Unidos, o grande mercado de motos de cross na época, como no final da temporada de 1975, a melhor de longe para a moto em termos desportivos, a Zundapp teve que acabar com a sua equipa desportiva e com a produção das MC também. Dois anos depois, com a empresa já praticamente em estado de "coma", o Tribunal Comercial de Munique decretava a falência da empresa.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A tia Alice

Apesar do mundo das motos em geral, e das clássicas em particular, ser dominado pelo chamado "sexo forte", também há mulheres nele. Poucas porém, serão tão especiais neste nosso querido meio como Alice Jardim, uma minhota da aldeia de Palmeira de Faro, no concelho de Esposende, que apesar dos seus 72 anos, mostra mais pedalada que muitas jovens de 20 ou 30. "Tia Alice do Jardim", como é conhecida localmente não percebia nada nem de motos nem de bicicletas mas quando na década de 60 se casou com um então jovem mecânico destas coisas, aprendeu a "arte" e começou a ajudar o marido nos mais variados trabalhos, desde o mudar pneus a enraiar rodas, mudar óleos, cabos de acelarador e embraiagem, e outras coisas. Um dia, à pendura do marido, os dois tiveram um acidente em Fão, na EN13, e embora ela não tenha sofrido muito, o marido caiu mal e acabou por falecer. Para muita gente, homens ou mulheres, isto seria mais que suficiente para nunca mais voltarem a andar de moto, mas a tia Alice, para surpresa geral, não só voltou a fazer das máqunas de duas rodas - faça sol ou faça chuva - o seu meio de transporte habitual, como decidiu também manter a oficina do falecido marido a funcionar, com ela à frente da mesma. Apesar da idade, continua de segunda a sexta a trabalhar nas Casal, Famel, Sachs e outras máquinas da aldeia e, como se isso não bastasse, quase todos os sábados de manhã, ainda arranja tempo para ir na sua Casal Boss de duas velocidades, de Palmeira de Faro a Barcelos, vender flores no mercado da cidade. No sábado passado, com uma chuva das boas, lá ia ela. Vivam as mulhers como a tia Alice!

segunda-feira, 5 de março de 2012

A segunda EFS Cross lá de casa

Manuel Castanheira, da aldeia de Talhadas no concelho de Sever do Vouga, é daqueles homens que não lhe sobra muito tempo livre. Para além dos seus afazeres profissionais e familiares, ainda é um dos responsáveis do da associação local "Passados dos Carretos" (a qual com apenas um ano de vida é já um dos agrupamentos de motorizadas antigas mais dinâmicos da Beira Litoral), como também é o proprietário duas EFS - uma Fórmula I 650 e uma Cross - restauradas ao mais pequeno pormenor por ele próprio. Só isto já seria mais que suficiente para ocupá-o "25 horas" por dia mas não contente com isso, Manuel resolveu provar a si próprio, e aos amigos, que era capaz de "fazer" outra EFS Cross, com uma particularidade. É que enquanto a primeira "Cross" foi feita a partir duma 220, esta vai ser feita a partir duma Cross mesmo Cross. "Sem ser pelas matrículas", diz ele, "Ninguém vai saber dizer qual a que foi feita a partir da 220 e qual a que foi feita a partir da Cross. Estou a pensar levar as duas a Fátima, integradas no nosso grupo, e vai ser engraçado vê-las ao lado uma da outra". É que vai ser mesmo!

sábado, 3 de março de 2012

E aí está o video!


Foi uma trabalhera, mas tinha metido na cabeça que para o Todos a Fatima 2012, além da revista, dos anúncios, do blog, do facebook, e disto e daquilo, havíamos de fazer também cartazes e um videol Os cartazes ficaram prontos há coisa de duas semanas e já há aí centenas deles espalhados de norte a sul do país. O video é que tava mais difícil. Nunca tínhamos feito uma coisa destas. Mas inspirado nos que vimos no YouTube do Todos a Fátima do ano passado, arregaçámos as mangas e foi mãos à obra. Foram quase dois meses a queimar neurónios, mas tá aí. Modéstia à parte, acho que está porreiro. E agora, como cá na casa nunca estamos contentes como o que fazemos, vamos fazer uma versão em "English". Para que os nosso amigos holandeses, alemães, suecos e outos que não param de nos "chatear" a fazer perguntas do que é isso do Todos a Fátima, a ver se eles "capiscam"!

sexta-feira, 2 de março de 2012

A história duma ML muito rara

Apesar da Moreira & Letra de Cantanhede ter sido uma empresa bastante activa no mundo das duas rodas em particular nas décadas de 60 e 70 (até chegou a ser o representante dos motores de 50cc duma, na altura, nova marca de motos japonesa, a Honda!), as suas motorizadas de marca própria, as ML, não tiveram assim tanta projeção. Sobretudo com montagens da EFS, ainda se venderam alguma coisa - em particular as "irmãs" da EFS 220 - mas quase só na região de Aveiro e na Grande Porto. Em face disso, vá-se lá saber como é que um dos, para não dizer o seu modelo mais exclusivo, a ML Flecha com motor Zundapp de 5 velocidades foi parar à região de Coruche. Mas foi. Comprada por um bombeiro local, foi usada durante anos e anos mas depois um dia, já velhinha, acabou encostada num palheiro. Foi por lá ficando, foi ganhando ferrugem, algumas das suas peças começaram a desaparecer, e tudo parecia indicar que ela seria mais uma "senhora" que iria acabar no ferro-velho. Mas não. Um outro bombeiro local, o Rui Almeida (aqui à esquerda na foto), interessou-se por ela como velharia e acabou por ficar com ela, de graça. Para o Rui seria um "esqueleto" engraçado que, um dia, sabe-se lá quando, poderia, vir a voltar a andar. E como o depósito era tipo EFS, terá partido do princípio que seria fácil arranjar peças para ela. Quando começou a investigar um pouco é que percebeu que tinha arranjado uma raridade e que, se a queria um dia pôr como era em nova, ia ser uma "trabalhera". A "febre" das motorizadas, no entanto, chegou também a Coruche, e em força. O número de motorizadas antigas na terra, e nas aldeias vizinhas, disparou e nas conversas depois do trabalho no Tasca e noutros bares da terra, as "velhinhas" passaram a ser um dos principais temas de conversa. E vai daí que um dia numa dessas conversas, entre duas bujecas, um seu amigo, o Luís Felismino (o outro homem daqui da foto), o desafiou a restaurarem a motorizada, para a levar ao Todos a Fátima deste ano. Luís já tinha feito alguns restauros nas horas vagas, mas nunca se metera numa coisa tão rara como esta ML Flecha. O certo é que a coisa tem estado a andar e com ajudas um pouco de todo o país (os logos do depósito, por exemplo, foram conseguidos em Perelhal, o escape em Santo Tirso e as manetes em Águeda), a Flecha está quase a ficar pronta e neste momento já é quase certo que vai poder ir a rolar até ao mega evento.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A ideia genial de Tartarini

As vitórias da Ducati no Motogiro de Italia de 1955 e 1956 foram arrebatadoras, sobretudo a de 56, com a Ducati a fazer frente às equipas de fábrica de todos os outros grandes fabricantes italianos de motos e a ganhar a prova em cinco classes. O Motogiro desse ano, porém, teve alguns acidentes graves, o mesmo acontecendo noutra grande prova de estrada transalpina, de automóveis, as Mille Miglia. Devido a isto, as autoridades italianas decidiram proibir, a partir de 1957, todas as provas de estrada de grandes distâncias, de automóveis ou motos. No caso do Motogiro, a Ducati era a marca que tinha mais a perder pois fora a que tinha tirado mais louros nas últimas edições da prova. Mas um dos seus pilotos, Leonel Tartarini, teve uma brilhante ideia. Se as Ducati não podiam brilhar a fazer uma grande prova de estrada de norte a sul do país, porque não pô-las a fazer uns bons milhares de quilómetros fora de Itália?. A direcção da marca aprovou a ideia e Tartarini, com outro homem da Ducati, Giorgio Monetti, fizeram-se à estrada em duas Ducati 175 com depósitos e outros equipamentos especiais. O plano inicial era irem de Bolonha até à fronteira da Turquia com o Irão, mas a publicidade em Itália com o viagem foi de tal ordem, que a Ducati autorizou que continuarem até à Cidade do Cabo, na África do Sul. Quando aqui chegaram, Tartarini e Monetti, e as suas Ducati, já eram heróis nacionais, não só pelo feito em si como pelas suas aventuras, as quais envolveram o roubo das motos no Irão, a sua prisão no Uganda e encontros próximos com leões na Tanzânia, entre outras coisas. Em face disto, e sempre com o apoio da casa-mãe da Ducati em Bolonha, os dois continuaram e acabaram por dar uma volta inteira ao mundo. Ainda hoje, o feito é considerado uma das melhores acções promocionais de marketing feito por uma marca de motos italiana!