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terça-feira, 5 de outubro de 2010

As "Citroens" de duas rodas

Enquanto a MotoClássica 26 está já na gráfica, as atenções cá na casa estão todas no próximo número o qual vai ter um mega-artigo (mega-encontro, mega artigo, deve ser a onda!) sobre a colecção de José Pereira de Felgueiras. Vão ser mais de 10 páginas a falar na maior colecção de motos portuguesa que este empresário amante das duas rodas tem vindo a construir com muito esforço e dedicação. E o homem tem tantas motos que já passei, e ainda vou passar mais, umas boas horas a pesquisar nomes, a verificar anos de fabrico e outras coisas das mais de 500 que ele tem. Pois estava eu nestas verificações quando ontem já a horas de se estar a dormir me deparei

com uma coisa que deu um pequeno curto-circuito aqui nos neurónios. O titulo era "A moto Citroen" e como nunca tinha ouvido falar em tal coisa lá fui ver o que era. A Peugeot, sabia que tinha feito motos, ou melhor scooters, mas a Citroen nunca tinha feito nada a não ser automóveis. Investigando melhor, descobri que afinal nunca houve motos Citroen no sentido estrito da palavra, mas o caso não deixa de ser interessante. No final dos anos 70, o Ministério da Indústria francês lançou um concurso de criatividade industrial e o vencedor foi um pequeno consórcio denomnado BFG (das iniciais dos seus três promotores, Louis Boccardo, Dominique Favario e Thierry Grange) que se propõs a construir motos com o motor do Citroen GS de 1299cc. O consórcio ganhou uma ajuda estatal não só para desenvolver o projecto como para fabricar uma primeira série de 450 BFGs, algumas das quais ainda foram utilizadas pela Gendarmerie Nationale (a primeira foto mostra uma dessas motos, equipada a rigor).

O projecto morreu mas um dos promotres, Boccardo, desenvolveu uma nova moto, a Boccardo, com o motor do Citroen AX a diesel do qual se terão fabricado quatro exemplares todos eles artesanalmente na sua oficina nos arredores de Paris (segunda foto). Uma delas chegou a ter sidecar (terceira foto) e ao que parece o objectivo de Boccardo era fabricar pequenas series da moto, todas com side mas
infelizmente este projecto também falhou. Um dos protótipos, porém, foi parar aos Estados Unidos onde o seu dono criou uma carenage e um conjunto depósito-banco todos xptos e onde a moto - conhecida simplesmente como "The Citroen" - é um chamariz. Quem bem se pode inspirar nestas aventuras mecânicas é o nosso conterrâneo António Pinto de Castro Daire que sem apoios de espécie alguma conseguiu conceber e construir a sua "Indian" com o motor de uma Renault 4L por apenas três mil euros. Se o homem se lembra de começar a construir outras "Otinp", como a sua moto se chama, se não arranjar compradores por cá, de certeza, mas de certeza, que os arranja em Espanha, em França ou nos Estados Unidos.