segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O descanso dos guerreiros

Nos finalmentes do que vai ser o maior artigo da próxima MotoClássica - um levantamento bastante completo do que foi a espectacular história dos primeiros 40 anos da Yamaha no mundo das competições de velocidade em duas rodas - descobri esta foto que me surpreendeu. Já tinha seleccionado umas quantas para o artigo e quase todas eram, ou melhor são, de motos. Faltava-me uma do Kent Andersson e queria algo diferente, algo que me mostrasse uma TA - a moto em que ele correu e foi campeão do mundo nas 125 - no meio das florestas da terra dele ou então algo onde se visse o Kent mas sem estar sentado numa moto. Só me apareciam fotos dele a correr mas de repente apareceu-me esta. Era do Grande Prémio da Finlândia de 1966, uma prova em que o Kent já terá participado tanto em 125 como em 250, e não tinha motos como eu queria, mas como ele não estava na foto, a minha primeira reação foi ignorá-la. Quando, porém, ia a fazê-lo, "descobri" que o Giacomo Agostini era um dos quatro homens que aparecia na foto e aí acenderam-se as sirenes de alarme. A foto era do Grande Prémio da Finlândia e pela fisionimia do grande campeão italiano via-se que na época - o ano era 1966 - ele ainda estava a dar os primeiros passos na MV Agusta. Agostini já corria tanto nas 350 e 500 e no final do campeonato desse ano iria sagrar-se, pela primeira vez, campeão do mundo, nas 500. Só isso já faria a foto interessante, mas há mais. É que os outros três pilotos que estão com ele são, também eles, grandes campeões. O homem da frente é Phil Read que na altura era o piloto-chefe da Yamaha e já tinha ganho dois campeonatos do mundo, nas 250, e ainda iria ganhar mais três. O homem em segundo plano ao centro, com a tshirt à mostra é Mike Hailwood, que na altura já tinha quatro títulos do mundo e que nessa temporada iria ganhar mais dois, ambos pela Honda, nas 250 e nas 350. E, por último mas não menos importante, há ainda, também em segundo plano e à esquerda de Hailwood, Bill Ivy que fazia equipa com Phil Read e que no ano seguinte seria campeão do mundo em 125cc. O Kent naõ estava lá, mas que grande foto!

domingo, 9 de janeiro de 2011

O "exército" dos Motoms


Embora seja sabido que o Minho é uma das regiões de Portugal com um melhor acervo de "senhoras" de duas rodas, pouca gente sabe que uma das preciosidades da região é o número de Motoms que ainda por lá há, e muitos deles em bom estado. Dos cerca de 100 a 120 que haverá em Portugal, a maior parte está no Minho e destes, a grande maioria está em Viana do Castelo ou próximo disso. A marca vendeu-se bem por aquelas terras mas, tão importante como isso tem sido o trabalho de preservação e incentivo ao restauro levado a cabo pela Associação das Bielas Velhas de Viana cujos sócios, só entre eles, terão mais de 60. E como a marca se tornou num ex-libris da Associação, os "bianenses" estão a pensar aproveitar o Todos a Fátima para descerem cá abaixo com um pequeno exército de Motoms. "Ainda não sabemos ao certo quantas irão", diz José Albino, da direcção da associação, "Mas vão ser umas quantas. Talvez 10, talvez 15, talvez 20. E, se tudo correr bem, elas vão todas, ou quase todas, a rolar daqui de Viana. Com elas, mais as Xfs - há também um grupo de associados que quer ir de Xfs - e os outros, ainda somos capazes de ser uns 30 ou 40. Viana vai estar presente (em Fátima) e bem presente".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A mini-Honda e a companheira

Nuno Freire, de Oeiras, anda de moto já desde muito jovem mas sua máquina de toda a vida foi sempre a mini-Honda azul e branca de mudanças automáticas da foto, a qual já está na família desde meados da década de 70. Nuno gosta tanto da moto que quando chega a primavera até se dá ao luxo de muitas vezes ir nela para o seu local de trabalho o qual ainda dista uns quilómetros de sua casa. A história do Todos a Fátima, porém, veio alterar-lhe as voltas. Inicialmente estava a pensar ir na mini-Honda com um amigo, o Vitór Pessoa de Sacavém também ele com a "pancada" das mini-Hondas, mas depois a irmã do Nuno, a Carla, também se começou a entusiasmar por vir, e ele e o amigo, não fizeram mais nada: cada um comprou uma motorizada "made in Portugal" dos anos 70, ele a SIS Motozax que se vê atrás da mini-Honda e o Vitór uma Fuego e assim vão os três montados, a Carla na mini-Honda e eles de motorizadas. "Nunca tinha tido uma motorizada", diz ele, "Mas assim já tenho uma e cada um de nós vai na sua máquina. E ainda tenho a sorte dela (a Motozax) ser azul, como a mini-Honda. Fica tudo em família".

O camião que pode levar 50 "senhoras"

Já com vários anos de experiência nestas coisas de peregrinações de motorizadas a Fátima, os homens do Grupo Motard T'Atestar não brincam em serviço e já desde há alguns meses que estão a preparar ao mais pequeno promenor a sua participação no "Todos a Fátima". Normalmente, as suas idas contam com 50 a 60 participantes, mas este ano, Tó Mané Ramalhinho, o impulsionador do Grupo, conta levar mais. E como no meio de tanta gente poderá haver uns quantos para os quais ir a "cavalo" pode ser cansativo demais, vai ser preciso algum transporte de apoio. Normalmente esse transporte seria a carrinha Mercedes que o Grupo tem mas este ano, como é especial, está previsto um segundo "apoio" que não é nada mais nada menos que um semi-reboque de carga capaz de levar até 50 motorizadas em cima. "Ainda não sabemos quantos participantes ao certo vamos ter do Grupo e outros que se queiram juntar a ´nós", diz Tó Mané, "Mas se além dos que vamos a rodar, houver uns 10, ou 20, ou 30 que prefiram ir de carro, não é por isso que eles não vão participar no encontro. Entre os que vão por estrada e os que vão de reboque, contamos levar 100 a 120 máquinas".

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A "descoberta" do senhor Manuel Irío

Manuel Irío é um "jovem" de 66 anos com uma oficina, de motorizadas, bicicletas e motoserras, na aldeia de São Bartolomeu do Outeiro, no concelho de Portel, toda a vida trabalhou ligado às duas rodas. E pelas suas mãos já passaram centenas e centenas de motorizadas, ciclomotores e bicicletas de todos os tipos e feitios. Mas, apesar disso, ainda se consegue surpreender a si próprio , como aconteceu há uns dias atrás, quando descobriu que um ciclomotor em muito mau
estado que comprou recentemente, tinha um quadro da Famel e o motor Sachs. Tudo estaria "numa boa" se fosse sabido que a Famel usou motores Sachs mas tanto quanto sei, nunca usou tais motores. A confirmar-se isto, o que teríamos aqui seria um "enxerto", uma Famel (o quadro, esse não engana) que inicialmente teria tido um outro motor e ao qual em determinada altura da sua vida o seu motor original
teria sido trocado por um motor Sachs. Podia ser mas não há nem no motor nem no quadro quaisquer sinais de "remendos" e segundo o anterior dono da máquina, ela sempre foi assim desde que ele a comprou, como nova. Como diria o grande Fernando Peça nos seus tempos de repórter de rua de casos insólitos, "E esta, heim?"! Ps O banco, assim como o depósito originais estão a ser arranjados. Os que aqui se podem ver são "emprestados" até os verdadeiros estarem prontos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A acabar o ano com o padre Zé Fernando e outra malta (muita) fixe!

Vésperas de Natal, Ano novo, Páscoa e outras datas festivas, para mim é sinónimo de andar por aí. Se possível de moto, mas, mais importante que isso, é o ver e visitar amigos. Aqueles que, por um motivo ou outro, a gente só pode ver muito de vez em quando. E desta feita, os meus destinos foram - entre outros - a Beira Baixa, mais propriamente Tinalhas, a terra do Grupo Motard T'Atestar que, sob a liderança de Tó Mané Ramalhinho, tem posto aquela região de Portugal a viver, e em força, o espírito das "senhoras". Com um dia de encomenda, os amigos de Tinalhas organizaram um bom dum almoço onde se falou de motos e motos, mas não só. Entre a malta presente - apenas um número restrito dos já quase 100 membros do Grupo - encontrava-se um homem de quem já tinha ouvido falar, e muito, mas que ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer, o padre Zé Fernando, mais conhecido como o "padre motard". Um homem que, para além de também gostar de motos, tem o dom da palavra, e fala de temas espirituais como quem fala de V5s, Xf17s, depósitos de gasolina, cilindros ou conta-quilómetros. Com um à-vontade que dá gosto ouvir e pedir por mais. Com um pouco de sorte, e vamos torcer por isso, vamos puder contar com ele no Todos a Fátima. Quem manda lá em cima, assim o permita.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A cinquentinha que vai deixar a KLT na garagem

Até agora, quando Rui Cândido, um alentejano da aldeia de Santana, no concelho de Portel, queria fazer viagens de moto, tudo o que tinha a fazer era preparar a sua BMW KLT de 1200cc, verificar se ela estava em ordem, e fazer-se à estrada Seja para viagens de umas horas, uns dias, ou umas semanas, Rui não a troca, ou não trocava, por nada. E "não a trocava" porque com a história do Todos a Fátima, começou a combinar, meio na brincadeira, com uma série de amigos das motos grandes irem todos a Fátima em 50s clássicas. A conversa foi andando e o certo é que todos eles já têm uma "senhora" e estão a preparar-se mesmo para ir ao mega-encontro. Rui arranjou uma Yamaha RZ50 de 1991 e se tudo correr bem, é nela que vai. Ainda lhe faltam umas peças (nomeadamente a óptica, a semi-carenagem, e as rodas) e uma pintura à séria, para ela ficar como nova, mas Rui não se mostra preocupado. "Ainda temos seis meses", diz ele, "E até Junho seja cá em Portugal seja lá fora, tenho quase a certeza que vou encontrar o que me falta e ainda conseguir que ela seja pintada. Depois, depois é ir. Há muitos anos que não faço uma viagem numa coisa tão pequenina mas isto faz-me voltar atrás na minha vida quando comecei a andar de moto e ir a Fátima nela é quase como voltar a ter 16 ou 17 anos"!