sexta-feira, 30 de abril de 2010

O inteligente com três rodas

Apesar de não ser uma invenção portuguesa - ainda antes da segunda guerra mundial já havia fabricantes italianos a fazerem experiências com este tipo de veicúlos - os triciclos deixaram fortes marcas no panorma motociclístico português nas década de 50, 60 e 70 e ainda hoje se vêem uns quantos a andar por aí, sobretudo para a venda de gelados e castanhos. Este porém, é especial, sobretudo pela roda de trás não estar directamente acopulada às da frente e pela sua
caixa de carga ser muito baixa, assim feita para baixar o seu centro de gravidade o mais possível. Ao que parece tiveram bastante sucesso tanto na Madeira como nos Açores - esta foi "descoberta" na ilha de São Miguel, na Povoação - para a venda de pão e de peixe e no Funchal até haverá um em estado de colecção (este da foto, como se pode ver pela roda de trás e outros pequenos pormenores já não está bem assim) que tem uma balança por cima da caixa onde era pesado o peixe. Quem terá sido o seu fabricante? A Famel é pouco provável pois este modelo não consta dos seus catálogos? Terá sido a Ernesto? Pode ser, mas não se parece muito com os seus triciclos. Quem terá sido então?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ficará pronta a tempo?


Apesar da sua vida profissional lhe deixar pouco tempo livre para as motos clássicas, Juan Santos de Vagos tem-se desdobrado em esforços para que o segundo encontro nacional de Alpinos que vai ter lugar no domingo em Montemor-o-Novo seja um sucesso. Fez uma revisão completa aos três ciclomotores da marca italiano que está a pensar levar, desdobrou-se em contactos com amigos e conhecidos para que eles também venham ao encontro, e ainda teve que preparar toda a logística da viagem dos quase 400 quilómetros de ida, mais outro tanto de volta. Mas como se isto não fosse suficiente, há poucas semanas atrás, de repente, resolveu ver se conseguia também acabar o restauro de uma rara Alpino a quatro tempos com duas válvulas à cabeça que já tem há seis anos. Na altura, quando a comprou, o motor tinha problemas e Juan não chegou a fazer mais de 30 kms com ela. Ainda pôs o motor a arranjar num especialista em Alpinos mas o mesmo não resolveu o problema o que fazia antever que esta era daquelas clássicas que dificilmente alguma vez ia voltar a andar. Com a história do encontro, porém, Juan arranjou coragem, pôs o motor a arranjar noutro lado e, passadas poucas semanas, ele já está outra vez a trabalhar. Entretanto, dada a sua paixão por tudo o que são Alpinos, decidiu refazer o sistema eléctrico, mandar recromar todos os cromados e fazer outras mexidas na moto de modo a tê-la como nova no dia do encontro. Em princípio vai conseguir, mas pelo sim pelo não, tirou o dia de hoje de férias para se dedicar a acabar a montagem da "senhora"!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Valente

Chama-se Mário João, tem 33 anos, e mora em Vila Cova, uma aldeia minhota junto ao rio Cávado. O avô tinha uma Macal M70 das primeiras, que utilizava todos os dias. No final dos anos 80, num cruzamento próximo de casa, um carro bateu-lhe por trás e ele foi-se. Depois disto, a Macal ficou a apodrecer debaixo de uma árvore mas há aproximadamente dois anos, Mário João - que até nem ligava muito a motos clássicas - descobriu-a. Comprou-a, e depois de muito trabalho de restauro e compra de peças novas, conseguiu pô-la como se tivesse saído da fábrica, no mesmo amarelo e vermelho em que vinha pintada e tudo. Já começou a dar umas voltas com ela e, se tudo correr bem, dia 16 de Maio a M70 até vai participar no primeiro passeio de clássicas que vai ter lugar na aldeia. "É como que uma homenagem ao meu avô", diz ele, "Cada vez que ando na moto, é um pouco como se ele também estivesse ali a andar comigo".

terça-feira, 27 de abril de 2010

O mistério carabelliano


Tanto quando a fotografei no sábado em Cavalões no meio de quase outras 200 motos e motorizadas para a próxima Dmc como, depois, quando a analisei com mais calma já de volta à base na capital do betão, à primeira vista era só mais uma motorizada do passeio que chamava a atenção pelo seu nome e pelas suas linhas bonitas, mas esta "míuda" azul com ares dos finais dos anos 50, começo dos 60, tem muito que se lhe diga. Após consulta com vários "expertos" em motorizadas nacionais, nomeadamente o Carlos Martins de Sangalhos, o Arlindo Carvalho de Castanheira de Pera e o Reinaldo Estaca de Conceição de Faro, e depois de descobrir que não há nada documentado - pelo menos que tenhamos conseguido descobrir - sobre a marca até à data, tudo indica que se trata de uma motorizada de montagem nacional, de nome Carabelle (como tem escrito no depósito), com motor Sachs de três velocidades de punho, e terá sido fabricada pela Vilar para um distribuidor do norte do país. O nome seria uma alusão aos aviões franceses Caravelle que nessa altura eram uma força de respeito na aviação comercial e o logotipo no depósito até tem uma imagem de um Caravelle, mas porquê então Carabelle e não Caravelle? E quem era o distribuidor dono da marca? E onde é que ele se inspirou para estas linhas tão bonitas? Alguém que, por milagre, tenha conhecido o dono da marca, ou algum seu familiar, saberá elucidar o resto do país sobre estes e outros mistérios desta beleza?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O recorde de 1951

Hoje são objecto de coleção, e preciosidades históricas mas em 1951 as bicicletas com motor auxiliar eram muito importantes mesmo, tanto para as marcas que as fabricavam como para as centenas de milhares de europeus que se deslocavam diariamente nelas para os seus locais de trabalho. A Victoria alemã foi uma das muitas marcas que investiu neste tipo de mercado mas só o descobriu em 1951, uns bons anos depois da Alpino, Ducati, Lutz, Vap e outros fabricantes italianos. O seu motor auxiliar, - o FM 38 (de 38cc) - tinha, porém, um excelente desempenho e era bastante fiável. Para mostrar ao mundo que ele era mesmo especial, a marca contratou o piloto alemão Georg Dotterweich o qual em 1951, na auto-estrada de Munique para Ingolstadt, conseguiu atingir a então estonteante velocidade de 79kms/hora com um motor deste tipo acoplado a uma bicicleta normal, o que se tornou o novo recorde mundial de velocidade para este tipo de motores. As únicas alterações de nota feitas no conjunto foram a montagem de uma ignição com bateria de célula, a substituição do guiador por avanços e a montagem de uma carenagem envolvente que ainda hoje quase parece saída de um filme de ficção científica.


Esta segunda foto, bastante rara por sinal, mostra a FM38 recordista em plena acção com o pequeno Georg Dotterweich, que não pesava mais de 60 kgs na altura, deitado em cima da máquina na sua estranha posição de condução. Repare-se na faixa pintada no chão da auto-estrada para que o mesmo pudesse manter a cabeça virada para o chão!

domingo, 25 de abril de 2010

De pai para filho


Não é toda a gente que se pode orgulhar de ter uma moto oferecida pelo pai depois deste a ter usado uns bons anos mas Tomás Formosinho Sanchez é desses felizardos. O pai, Pedro, resolveu presenteá-lo com uma lindíssima Bmw R100 GS Paris-Dakar que comprou nova em 1990 e com a qual fez umas dezenas de milhares de quilómetros, sobretudo na Península Ibérica. Apesar de muito ocupado - trabalha em plataformas de exploração petolífera e passa mais tempo no estrangeiro que em Portugal - Tomás está a planear fazer uma viagem inaugural a sério com a R 100 até ao verão, só em Portugal ou, eventualmente, também em Espanha. "Não tenho muito tempo", diz ele, "Mas não posso esperar pelo dia em que vou poder fazer mil ou dois mil quilómetros nela".

Cavalões no norte, Sobral cá em baixo

A temporada dos passeios, encontros e outros eventos ligados às clássicas está, decididamente, a entrar em velocidade de cruzeiro. Ontem já tiveram lugar o encontro de Cavalões, no concelho de Famalicão e a primeira prova do Troféu de clássicas no Autódromo do Estoril, enquanto hoje há mais dois, um também em Cavalões - a chamada Feira das Peças, e outro o primeiro encontro de motos e motorizadas de Sobral de Monte Agraço. Directamente e com a ajuda de outros carolas destas artes, contamos fazer a cobertura de todos eles no próximo número da revista mas para já aqui ficam três fotos do encontro de Cavalões onde tivemos ontem e onde ficámos surpreendidos pela qualidade das máquinas presentes assim como pela organização e dinâmica do evento.(Dmc 22)

A chegada da caravana a Cavalões no final do passeio, num ambiente já de romaria minhota!

Um bom exemplo das máquinas do passeio: uma Vilar (175 ou 200??) com motor Villers, possivelmente a primeira e única Vilar deste tipo numa concentração em Portugal (e no mundo!). (Dmc 22)

E um bom exemplo de boas pechinchas que se podia, e ainda hoje pode, fazer na Feira das Peças: uma Dunia com documentos por 100 euros. Escusado será dizer que passados minutos de ter sido posta à venda, já tinha dono novo!