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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Konsul de 2000cc

Como muitos outros apaixonados de clássicas já reformados, Fraz Langer não gosta de estar parado. Alemão e formado em engenharia mecânica, Franz ocupa uma boa parte do seu tempo ou a restaurar as suas "máquinas" ou a personalizá-las, sobretudo a nível de motor e já se tinha tornado conhecido por ter "musculado" uma clássica com um motor de 1000cc. Nao contente com isso, porém, decidiu desenvolver um bicho ainda maior. Começou por arranjar uma NSU Konsul dos anos 50 com um motor

monocilíndrico de 500cc e tirou-lhe o motor. Ainda pensou em "muscular" também este motor mas quando viu que era difícil aumentar-lhe a capacidade muito para lá dos 1000c começou à procura de motores monocilíndricos de aviões dos anos 10 e 20 do século passado e há dois anos descobriu um na Veterama, a maior feira alemã

de automobilia e motobilia, com 2000cc que fazia parte de um motor radial. Comprou-o, desmontou-o, reforçou o quadro, ampliou o bloco motor da Konsul para 6,2 cmpara ele poder receber o novo cilindro, e ainda substituiu algumas peças do novo cilindro, nomeadamente o pistão que pesava três quilos, por equivalentes em liga leve (de "apenas 1,676 kgs). O único senão da moto, para além do peso de mais de 400 kgs, é o arranque. Embora tenha kick, é preciso tanta força que só super-homens é que a conseguem pôr a trabalhar assim. A alternativa é arrancar de empurrão, com a ajuda de dois, ou três ou mais amigos!

domingo, 3 de outubro de 2010

O negócio e a paixão

Hernâni Serra, o homem da foto, e o sócio Rui Sousa, eram adeptos das duas rodas em jovens mas as curvas da vida levaram-nos, já há uns bons anos a esta parte, a montar um negócio de compra e venda de automóveis usados nos arredores de Lisboa. Desde então, a atenção dos dois em matéria de motores estava toda, ou quase toda, dedicada às quatro rodas, mas há coisa de dois anos atrás, um deles, deu-lhe na cabeça para comprar uma moto clássica, e comprou a Honda 150 da foto Não era bem a máquina que queria mas foi a que arranjou e o certo é que se adaptou tanto a ela que hoje em dia, quando tem que sair do stand para ir tratar de alguma coisa, não vai em nenhum dos muitos carros do stand, vai de Honda 150. Se a "doença" ficasse por aqui, ainda ia, mas não. Depois da Honda, veio uma Xf, depois da Xf uma Fórmula I, e hoje em dia, os dois já têm umas 10 motos e motorizadas clássicas, nenhuma delas para venda, e cujo restauro a paixão de ambos nas horas vagas. "Podíamos ter ficado pela Honda e já estávamos muito bem", diz Hernâni, "Mas conforme vamos arranjando mais uma parece que é um pouco da nossa juventude que voltamos a reviver, sobretudo para o Rui (Sousa) que teve quase 20 Xfs, todas compradas em segunda mão, e gostava de tudo o que era bom na altura, fossem Fórmulas I, Lotus, Kreidler ou outras coisas. Podermos ter isto agora, e pôrmo-las como novas, é uma alegria!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Será que isto das clássicas tem futuro?

Volta não volta, sou abordado por apaixonados das motos e motorizadas clássicas que me indagam se eu acho que a actual febre pelas "senhoras" é coisa passageira ou para durar. A minha resposta é que com base no que vemos noutros países europeus mais avançados que nós, esta "doença" ainda está para durar mas o que o McPhearson College nos Estados Unidos decidiu fazer, tirou-me quaisquer dúvidas que eu ainda pudesse tirar. Sedeado no estado do Kansas, este colégio há mais de 30 anos que tem um curso superior sobre o restauro de automóveis, os seus formandos nesta área tendo quase colocação automática quando se formam. Pois o dito colégio, após estudar durante anos esta "área" dos restauros em pormenor, chegou agora à conclusão que tinha que abrir um outro curso de restauros, para motos! Segundo o site do colégio( www.mcphearson.edu), o restauro de motos está a tornar-se de tal modo popular que o colégio não tinha alternativa senão criar um curso superior dedicado a este tipo de restauros. Com quatro anos de duração, o curso vai ter uma componente teórica e outra prática e entre os temos que vão ser leccionados numa e outra conta-se a história do motociclismo, as motos americanas, as inglesas, as japonesas, a evolução do design das motos, o restauro de motores, as suspensões, os sistemas eléctricos, e outros. E, caso alguém ainda possa ter dúvidas, se um curso desta natureza tem mercado, talvez ajude saber-se que o primeiro ano já não tem vagas!

domingo, 26 de setembro de 2010

As belas e a extra-terrestre


Qualquer saída daqui na capital do betão, implica sempre fazer alguma nova descoberta sobre motos clássicas e a mini-viagem que fiz este fim de semana ao Minho - para acompanhar a quarta edição do passeio de bicicletas clássicas de Cavalões e começar a pesquisar o tema das Pachancho que vai ser capa da Moto Clássica de Outubro - não foi diferente. Estava eu a chegar a Famalicão à procura de lugar para estacionar a "burrinha", quando me deparo com um estacionamento exclusivo para motos. "Estupendo", pensei eu, "Aqui não tenho problemas". Parei, desliguei o motor, tirei o capacete e as luvas, pus-me a pé para ir à procura das bicicletas e olhei para o meu lado - como sempre faço nestas situações - para ver quem eram as outras máquinas que lá estavam. Eram umas seis e numa situação destas, se uma delas já tivesse alguma idade, já ficava todo contente, mas aqui em Famalicão, o que tinha à minha espera era bem diferente. É que das seis, cinco eram clássicas - incluindo uma V5, uma Lebre de segunda geração, uma Yamaha 50, uma Macal e uma EFS 220 - e nenhuma delas estava ali para alguma exposição. Via-se que eram todas máquinas do dia-a-dia. A única excepção era a outra moto, uma Yamaha 125 preta, cuja frente aparece em primeiro plano na foto. É que apesar de não ser propriamente feia, parecia um extra-terrestre na paisagem. É quase caso para perguntar se ela não se tinha enganado e não devia estar noutro estacionamento, e noutro tempo?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A bobber Triple


Quando os soldados americanos voltaram para os Estados Unidos no fim da segunda guerra mundial, muitos dos que gostavam de motos vinham impressionados com as motos europeias, claramente mais leves e com melhor relação peso/potência que as Harleys locais. Foi então que alguns deles se lembraram de começar a descascar as motos locais, tirando-lhe os guarda-lamas da frente e cortando o de trás, substituindo o depósito de gasolina por algo minimalista, o banco por pequenos selins, e outras coisas, e isto tudo sem mexerem no quadro ou no garfo e sem grandes preocupações de acabamentos. Foi assim que nasceram as bobbers que com o passar dos tempos vieram a tornar-se, como as choppers também mas mais tarde, num sinal de liberdade e rebeldia. De então para cá este tipo de motos evoluíu muito pouco mas paralelamente a elas, que nunca tiveram pretensões de serem brilhantes, bem pintadas e cheias de cromados, nasceram as neo-bobbers que aparentemente são bobbers mas que na prática já têm um (discreto) ar sofisticado. A deste video é uma delas, e baseia-numa Triumph Trident de 1974 que foi toda descascadinha mas que entretanto, recebeu algumas peças minimalistas de luxo como o selim, o guarda-lams traseiro e que também "ganhou" uns bons quilos de cromados. Um sonho de moto que vai hoje (sábado) a leilão no eBay e cujo preço-base está em 10.000 dólares. Uma pechincha para carteiras bem recheadas.

Von Dutch


Terra de artistas, Portugal tem uma boa dúzia de excelentes pintores de motos clássicas personalizadas mas a maior parte deles, para não dizer todos, são artitstas de corpo e alma. Preocupam-se com o seu trabalho mas o seu espírito empreendedor não é lá muito desenvolvido. Mas não tem que ser assim. É o que se pode concluir da brilhante carreira de um colega de arte, conhecido como Von Dutch que já morreu há 20 anos mas cujo fantástico trabalho só começa agora a ser conhecida fora dos Estados Unidos onde viveu grande parte da sua vida. Holandês de nascimento, emigrou cedo para os States e embora nunca se tenha preocupado muito em estudar, era um artista nato e de grande talento, e muito do que fazia era relacionado com motos e automóveis antigos. Entre outras artes, especializou-se em pinturas personalizadas de motos e automóveis clássicos, assim como de capacetes, bonés, blusões, tshirts e outros artigos relacionados com este mundo. E apesar do seu trabalho, como o da maior parte dos artistas, ser muito artesanal, conseguiu criar uma empresa para comercializar uma boa parte dos seus trabalhos, sobretudo os de capacetes, bonés e outras roupas "personalizadas" que, antes dele morrer em 1992, já facturava milhões de dólares e tinha filiais no Japáo, Reino Unido e outros países. O principal trabalho de arte ligado às motos pelo qual vai provavelmente ficar conhecido para sempre não era uma moto mas um capacete, tipo medieval e onde ele ia gravando os nomes das motos que foi tendo ao longo da vida. E onde ainda arranjou lugar para colocar uma chupeta de bebé no topo em sinal de desafio às leis da Califórnia que foram das primeiras nos Estados Unidos a obrigar os motociclistas a usar capacete. Era de tal maneira simbólico do seu trabalho, e da sua pessoa, que quando foi vendido num leilão pela sua filha após a sua morte, foi arrematado por mais de 40.000 dólares

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

E esta?

Decididamente, acho que está na altura de ir à bruxa. Só pode. É que nestes últimos dias só me aparecem mistérios pela frente. Há uns dias atrás foi a Sachs 98 do Passeio das Neves que, apesar de todas as ajudas de dois dos principais experts nacionais nestas matérias - o Carlos Martins e o Carlos Couceiro - ainda não se conseguiu desvendar totalmente. Ontem foi a "descoberta" de um pseudo-protótipo de uma Tourist 104 de que nem o Kalus Schulz, o presidente dos Amigos da Heinkel sabia. E hoje é esta, uma das várias motos raras que apareceram no Passeio da Vagueira (de que iremos falar na Moto Clássica 27). Tem escrito no depósito, e por baixo da óptica o nome "Sissy", e o motor é um Sachs de turbina. Pela pinta é estrangeira e do final dos anos 50, e até já descobri que é mais uma preciosidade do Sr Augusto, de Arcozelo da Maia, mas que raio de coisa será isto? Ca nervos!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Temos homem

Mário Domingues, um sadino de gema, toda a vida teve motos. Começou antes do 25 de Abril e nunca deixou de andar mas os seus gostos foram sempre para motos modernas. A mais recente de todas é uma bonita Harley Sportser toda moderna com que faz, ele e a sua Manuela, quilómetros e quilómetros. Há coisa de dois anos atrás, porém, descobriu que além das motos modernas havia umas outras chamadas "clássicas". Sempre na sua Sportser, um dia foi ver um passeio de "senhoras" aqui, depois uma exposição ali e aquilo começou a mexer-lhe na cabeça. A tal ponto que há poucos meses atrás quando descobriu uma EFS 125 com motor Puch algures para as bandas de Viseu igualzinha a uma que tinha tido na segunda metade dos anos 70, foi paixão à primeira vista. Comprou-a, restaurou-a aos mais pequenos pormenores (incluindo a suspensão traseira a gás) e no domingo passado trouxe-a, todo orgulhoso, ao seu primeiro passeio de clássicas, no Pinhal Novo. Tinha lá uma série de outras motos bonitas (entre as quais a Gilera CX da foto junto, que, para mim pelo menos, foi uma completa surpresa) mas o amigo Mário, e a EFS, foram, sem dúvidas, um dos acontecimentos do dia. O pior é que, ao que parece, a "doença" não vai ficar por aqui. Apesar da EFS ter ainda poucos quilómetros nas suas mãos, consta que ele já anda à procura de uma outra "senhora", uma 50. Fuogo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Segredos de Estarreja

Nos anos 60 e 70, Estarreja, como todos os outros concelhos do distrito de Aveiro, teve muitas motorizadas. Depois, ficou rico, ficou "europeu", as pessoas compraram carros e as motorizadas desapareceram das ruas. E como até agora não se tinha realizado na terra nenhum passeio de clássicas, a maior parte das pessoas pensava que elas tinham desaparecido da terra. Mas afinal a verdade é bem diferente. E tudo porque um grupo de amigos do concelho teve a brilhante ideia de fazer um passeio, integrado na Semana Cultural de Canelas.
Contamos ter na Moto Clássica 27 uma reportagem mais desenvolvida sobre as várias maravilhas que lá estiveram, e que muito nos surpreenderam, mas só para abrir o apetite aqui ficam duas fotos que as ilustram bem. Na primeira pode ver-se duas SIS Sachs V5 de Turismo, uma de primeira geração, impecs, quase a parecer que saíram da fábrica da SIS uns dias antes, enquanto na outra pode ver-se uma estrangeira, uma Gilera 50 Trial, também impec e, ao seu lado e meio escondida, uma Carina S170, também com muito bom aspecto. Parabéns Estarreja!

domingo, 12 de setembro de 2010

O maior?

Setembro já não é Agosto mas aínda pode ser bem quentinho como o dia de ontem mostrou na simpática vila de Almodôvar, no Baixo Alentejo. Terão estado uns 38 graus, mas nada que tenha afugentado os mais de 300 participantes do passeio de motorizadas e motos clássicas local que terão feito do mesmo um dos maiores passeios de motorizadas e motos clássicas que alguma vez

se realizou em Portugal. E embora já tenhamos começado a trabalhar na reportagem alargada sobre a grande festa que foi um encontro, fica aqui um cheirinho das muitas coisas boas que lá se viram. E se uma delas, porventura a mais importante, foi o excelente ambiente proporcionado pelas gentes da terra e pelo Moto Clube de Almodôvar que organizou o encontro, outras. Foi o
caso, por exemplo, da quantidade surpreendente de unidades do mesmo modelo. Só V5s seriam umas 10, Famel Zundapp umas oito, Zundapp de origem umas cinco, Casal K181 também cinco. Até da SIS Sachs Fuego que não se vê tanto por aí, havia quatro exemplares. Um espectáculo. Outra simpática surpresa foi a quantidade e variedade de motorizadas "costum" presentes. Já no ano passado tinham estado em Almodôvar uma série delas engraçadas (entre as quais a já famosa Xf17 "Xadrez" de Luís Botelho) mas este ano havia umas 12, algumas delas verdadeiramente espectaculares e a confirmarem também Almodôvar como o encontro nacional
onde se dá mais projecção a este tipo de motos. E last but not least fica também aqui uma nota para a quantidade de motos-motos presentes. A primeira vez que fui a Almodôvar, há três anos, lembro-me que só estavam presentes duas motos. No ano passado já havia mais. E este ano já haveria umas 20, incluindo-se neste grupo pequeno mas cada vez mais interessante duas Bmws com sidecar que vieram a rolar desde Vila Real de Santo António!

sábado, 28 de agosto de 2010

A última do Filipe


Embora seja impossível dizer de viva voz que o maior apreciador de Pachanchos é esta pessoa ou aquela pessoa, não deixa de ser verdade que entre os muitos apaixonados pela marca, há uma meia dúzia cuja paixão é quase tão grande como a Serra da Estrela nas Beiras ou o Pico do Pico nos Açores. E entre esses "super" apaixonados pela marca de Braga um deles é, indiscutivelmente Filipe Viana, o minhoto que gosta tanto de Pachanchos que até arranjou maneira do restaurante que tem em Braga em sociedade com um outro apreciador de motos, fosse decorada com uma Pachancho de carne e osso. O que pouca gente sabe é que o amigo Filipe também gosta de comprar e restaurar Pachanchos especiais, modelos pouco comuns e que se produziram apenas em poucas séries. E a sua última façanha neste domínio tem a ver com esta Pachancho Fulmen que acabaou se ser restaurada há poucas semanas atrás. Para além de ser muito bonita, para já pouco mais se sabe que terá sido um modelo raro da fábrica de Braga pois há muito poucas informações, públicas ou privadas, sobre a mesma. A sorte é que na Moto Clássica temos uma atracção especial por motos sobre as quais pouco se sabe, pelo que numa das próximas edições possivelmente na 27, vamos ter que falar sobre Pachanchos em geral e sobre esta Fulmen em particular.

domingo, 15 de agosto de 2010

A Pachancho da Guarda Fiscal

Confesso que durante muito tempo não terei dado a devida importância às Pachancho. Achava-lhes graça por terem sido uma das marcas portuguesas de motorizadas e ciclomotores mais antigas do país e uma das muito poucas que tiveram o seu próprio motor mas nunca calhou de me debruçar a sério sobre a sua história. A verdade, porém, é que ou eu me tenho estado a aproximar delas ultimamente ou têm sido elas que se te têm cruzado no meu caminho. E os "culpados" são vários. Um é o engenheiro da Madeira, agente da Yamaha no Funchal, que tem uma colecção delas e que me está sempre a convidar para ir vê-la (um dia vou, prometo). Outro é o Norberto do Algarve. Depois há também o Filipe de Monção. E agora foram estes dois homens, pai e filho, com os quais me cruzei na beira de uma estrada, numa das minhas andanças pelo norte. Naturais de Geraz do Lima, no Minho, e apaixonados por motos e ciclomotores antigos, ouviram falar que havia uma Pachancho à venda, não muito cara, para as bandas de Coimbra, a 200kms de casa. Sem grandes dados, meteram-se à estrada com o seu furgão de transporte de "velhinhas", deram com a Pachancho, toda metida em caixotes, compraram-na e trouxeram-na para casa, para a restaurar, sem saberem muito bem o que tinham nas mãos. Neste momento já têm a moto meio restaurada - parece que a única peça que lhes falta é a óptica - mas entretanto fizerem uma descoberta particularmente interessante para o historial da marca. É a que a Pachancho que adquiriram era uma versão especial da P. 503, com um escape só, que foi vendida apenas para a Guarda Fiscal, com pintura e personalização própria. Com pequenas grandes descobertas como esta, o que estou a ver é que falar em detalhe da Pachancho vai ter que se lhe diga.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O "pássaro" raro do norte

Após várias tentativas, há poucos dias atrás consegui finalmente, visitar a famosa colecção de clássicas de José Pereira que conta com cerca de 1000 motos, scooters e motorizadas, mais de metade delas impecavelmente restauradas. Em 2008, num dos primeiros números da revista, já tínhamos falado desta colecção mas desta feita contamos fazer um trabalho mais exaustivo, para um dos próximos números. Ao contrário de várias colecções de maiores dimensões, que em boa parte foram feitas a partir de colecções mais pequenas, a de José Pereira foi feita construída a partir do zero, o mesmo lembrando-se de como cada uma das motos chegou até si e qual o seu historial. E se todas as histórias são interessantes e muitas delas intrigantes também, a desta monocilíndrica com um motor Villers de 250cc é de nos pôr todos a pensar. Chama-se Águia, o que faz supor que é portuguesa, até porque o nome "Águia" só existe em português. Foi comprada em Portugal, o homem que a vendeu a Zé Pereira, garante-o, e mais, o mesmo homem, já com alguma idade, diz lembrar-se de a ter comprado directamente ao fabricante, também algures no norte. Posto isto, e sendo advogado do diabo, a marca poderia ter sido inventada por alguém que comprou a moto já montada no estrangeiro e a teria personalizado só para si mas como também há uma Águia Pachancho e o símbolo das duas é muito similar para não dizer igual, é bem possível que a marca tenha existido mesmo. Mas se existiu, a dúvida fica no ar: de quem era, como foi criada, e que outras motos ou ciclomotores fez?