quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Preciosidades do outro lado do muro

A acompanhar o crescimento nas vendas da MotoClássica e nas visitas ao blog da revista - só no passado mês de Setembro umas e outras tiveram um crescimento de dois dígitos o que nos tempos actuais é notável - cada vez vamos recebendo mais telefonemas, cartas e mails de leitores sobre algo que lhes aconteceu ligado a clássicas, sobre um novo restauro que estão a fazer ou sobre algum projecto fora do comum. E, apesar de infelizmente, não ser possível publicar tudo o que recebemos, há uns que são um "must" como é o caso da reportagem fotográfica que Miguel Rocha de

Linda-a-Velha preparou para a revista após ter visitado o Museu da Moto da ex-RDA, em Berlim. Apesar de andar sempre com as antenas no ar a tentar aprender e estar informado sobre o que se passa neste mundo das clássicas, tenho que admitir que nunca tinha ouvido falar neste museu. Sabia que a capital alemã tem um dos melhores museus do mundo de automóveis e motos antigas mas um dedicado a um

ex-país como a RDA acho fantástico. Mas o mais fantástico de tudo são as motos que o Miguel "descobriu" no museu, coisas como IWL ou Simsons, oa raríssima MZ 500 ou ainda a MZ da polícia local, a qual parece uma fotocópia das BMW da polícia da Alemanha Federal. Mais um tema cheio de interesse para uma das próximas edições da revista.

Que beleza(s)!

Nos anos 60 não lhes achava muita graça mas nos últimos anos cada vez engraço mais com tudo o que seja triciclos. Este que descobri ontem, porém, é uma classe à parte. É da Kaptein, uma marca holandesa que nos anos 50 e 60 fabricou Motobecanes sob licença e penso que é único a nível mundial, e isto por diversos motivos. Antes de mais porque ao que tudo indica não há nenhum outro triciclo com motor Motobecane, nem em França nem em nenhuma outra parte do mundo. Só num país como a Holanda onde as únicas subidas são o desnível entre as estradas e os passeios é que uma coisa tão fraquinha podia ser pensada para transportar cargas. Depois deve ser dos pouquíssimos triciclos - para não dizer também que seria o único - com pedais. Mas o que mais me atrai nele são as suas linhas. Aqueles guarda-lamas, o depósito, o quadro, o selim e a caixa em madeira., é tudo lindíssimo. Não sei quem o desenhou, mas foi certamente um grande artista!
E passadas umas horas deste post ter ficado online, já se sabe que afinal, pelo menos há outro triciclo com pedais, e também ele muito bonito. É o triciclo Alpino que foi fabricado pela fábrica do mesmo nome, também nos anos 50, e quem a "descobriu" foi Juan Santos, um leitor assíduo do blog e, além disso, um dos principais colecionadores de Alpinos em Portugal. Obrigado Juan.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Henderson Courtney

Embora todas as marcas norte-americanas de motos mereçam respeito e admiração, a Henderson, uma marca criada em 1911 por William "Bill" Henderson e que só se manteve em actividade durante 20 anos, é considerada uma das melhores tanto pelo desempenho dos seus famosos motores de quatro cilindros em linha como por alguns dos seus designs. Esta Henderson da foto, no entanto, está a dar que falar. Trata-se de uma espectacular personalização de uma K J Henderson de 1930 (já da segunda fase da marca em que ela utilizava motores de outros
fabricantes, o desta sendo um Indian de quatro cilindros em linha) concebida em 1936 por Ray Courtney, um designer dos anos 30 e que apesar de ser uma Henderson de corpo e alma, tem o quadro estendido o que a torna ainda mais bonita mas particularmente difícil de conduzir. Sabia-se que a moto tinha sido feita mas pensava-se que ela tinha acabado esquecida num ferro velho ou, pior ainda, transformada em sucata. Para surpresa geal, no entanto, a Henderson Courtney, como é chamada, ressurgiu do nada há poucas semanas atrás no Rhinebeck Meeting, uma feira e encontro de clássicas no estado de Nova Iorque e não só ressurgiu como encontra-se num estado imaculado. O "milagre" deve-se a Frank Westfall, um alfaiate da cidade de Syracuse, também no mesmo estado, o qual teve a oportunidade de comprar a moto a um particular há uns 10 anos atrás e restaurou-a no maior segredo.
Mas Frank não se limitou a mostrar a moto. Deu-se também ao luxo de mostrar que ela funciona dando uma série de voltas no recinto do encontro para satisfazer o gáudio de tudo e todos. O surgimento da moto foi de tal modo uma surpresa que Frank não já teve direito a entrevistas em jornais e televisões nacionais como várias ofertas para a comprar. Mas, pelo menos para já, parece que ele não está a pensar vendê-la. "Um potencial comprador convencido que o dinheiro faz tudo", diz ele, "Entrou na minha alfaiataria, abriu um livro de cheques e perguntou-me que valor eu queria que ele escrevesse no cheque para a levar. Quase que o insultei. Será que esta gente não percebe que há motos que para quem as restaura são muito mais que um número?"

Será que isto das clássicas tem futuro?

Volta não volta, sou abordado por apaixonados das motos e motorizadas clássicas que me indagam se eu acho que a actual febre pelas "senhoras" é coisa passageira ou para durar. A minha resposta é que com base no que vemos noutros países europeus mais avançados que nós, esta "doença" ainda está para durar mas o que o McPhearson College nos Estados Unidos decidiu fazer, tirou-me quaisquer dúvidas que eu ainda pudesse tirar. Sedeado no estado do Kansas, este colégio há mais de 30 anos que tem um curso superior sobre o restauro de automóveis, os seus formandos nesta área tendo quase colocação automática quando se formam. Pois o dito colégio, após estudar durante anos esta "área" dos restauros em pormenor, chegou agora à conclusão que tinha que abrir um outro curso de restauros, para motos! Segundo o site do colégio( www.mcphearson.edu), o restauro de motos está a tornar-se de tal modo popular que o colégio não tinha alternativa senão criar um curso superior dedicado a este tipo de restauros. Com quatro anos de duração, o curso vai ter uma componente teórica e outra prática e entre os temos que vão ser leccionados numa e outra conta-se a história do motociclismo, as motos americanas, as inglesas, as japonesas, a evolução do design das motos, o restauro de motores, as suspensões, os sistemas eléctricos, e outros. E, caso alguém ainda possa ter dúvidas, se um curso desta natureza tem mercado, talvez ajude saber-se que o primeiro ano já não tem vagas!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Só falta a mãe

Sara, a míuda da direita na foto, nunca tinha achado graça a motos. Como a maior parte dos jovens da sua idade, os seus interesses seriam mais ligados à internet, jogos de computador e iPods em vez de "ferros velhos". Mas um dia "descobriu" que o vizinho Filpe, o "jovem" do meio, tinha uma Casal Boss, personalizada e "muita gira"! Lá em casa dela não havia nenhuma Boss e o pai, à esquerda na foto, a princípio não se entusiasmou muito com a ideia pelo que tudo indicava que a paixão não ia passar disso. Há uns meses atrás, porém, apareceu na região, em Monção, uma Boss para venda e o pai não só a comprou como, com a ajuda de familiares, conseguiu fazer dela uma irmã-gémea da Boss do amigo Filipe. O problema foi que no dia em que a Boss ficou pronta, pai e filha foram experimentá-la, sem capacetes e outros "acessórios", mas tiveram tanto azar que foram apanhados por um senhor do boné menos simpático que lhes passou uma daquelas multas de doer, de 500 euros. E a mãe? Pois a mãe, apesar de não aparecer na foto, é quem manda mais nesta história toda. Talvez já não achando muita graça a isto das motos, quando soube da multa, simplesmente proíbiu a Boss de voltar a saír à rua pelo que tanto trabalhinho e sacrifício estão agora a apanhar pó. Uma pena, até porque a Boss da sua filha é mesmo "muita gira", mãe!

domingo, 26 de setembro de 2010

As belas e a extra-terrestre


Qualquer saída daqui na capital do betão, implica sempre fazer alguma nova descoberta sobre motos clássicas e a mini-viagem que fiz este fim de semana ao Minho - para acompanhar a quarta edição do passeio de bicicletas clássicas de Cavalões e começar a pesquisar o tema das Pachancho que vai ser capa da Moto Clássica de Outubro - não foi diferente. Estava eu a chegar a Famalicão à procura de lugar para estacionar a "burrinha", quando me deparo com um estacionamento exclusivo para motos. "Estupendo", pensei eu, "Aqui não tenho problemas". Parei, desliguei o motor, tirei o capacete e as luvas, pus-me a pé para ir à procura das bicicletas e olhei para o meu lado - como sempre faço nestas situações - para ver quem eram as outras máquinas que lá estavam. Eram umas seis e numa situação destas, se uma delas já tivesse alguma idade, já ficava todo contente, mas aqui em Famalicão, o que tinha à minha espera era bem diferente. É que das seis, cinco eram clássicas - incluindo uma V5, uma Lebre de segunda geração, uma Yamaha 50, uma Macal e uma EFS 220 - e nenhuma delas estava ali para alguma exposição. Via-se que eram todas máquinas do dia-a-dia. A única excepção era a outra moto, uma Yamaha 125 preta, cuja frente aparece em primeiro plano na foto. É que apesar de não ser propriamente feia, parecia um extra-terrestre na paisagem. É quase caso para perguntar se ela não se tinha enganado e não devia estar noutro estacionamento, e noutro tempo?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A bobber Triple


Quando os soldados americanos voltaram para os Estados Unidos no fim da segunda guerra mundial, muitos dos que gostavam de motos vinham impressionados com as motos europeias, claramente mais leves e com melhor relação peso/potência que as Harleys locais. Foi então que alguns deles se lembraram de começar a descascar as motos locais, tirando-lhe os guarda-lamas da frente e cortando o de trás, substituindo o depósito de gasolina por algo minimalista, o banco por pequenos selins, e outras coisas, e isto tudo sem mexerem no quadro ou no garfo e sem grandes preocupações de acabamentos. Foi assim que nasceram as bobbers que com o passar dos tempos vieram a tornar-se, como as choppers também mas mais tarde, num sinal de liberdade e rebeldia. De então para cá este tipo de motos evoluíu muito pouco mas paralelamente a elas, que nunca tiveram pretensões de serem brilhantes, bem pintadas e cheias de cromados, nasceram as neo-bobbers que aparentemente são bobbers mas que na prática já têm um (discreto) ar sofisticado. A deste video é uma delas, e baseia-numa Triumph Trident de 1974 que foi toda descascadinha mas que entretanto, recebeu algumas peças minimalistas de luxo como o selim, o guarda-lams traseiro e que também "ganhou" uns bons quilos de cromados. Um sonho de moto que vai hoje (sábado) a leilão no eBay e cujo preço-base está em 10.000 dólares. Uma pechincha para carteiras bem recheadas.