terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Suzuki que vai virar cabeças

Apesar de não ter sido a Suzuki mais popular do mundo - as suas prestações eram fraquinhas e "comia" muita gasolina - a Suzuki Stinger 125 tem um significado muito especial para nós portugueses pois foi a máquina que serviu de inspiração ao futurista depósito da não menos futurista Famel Zundapp Xf17. Comercializada entre 1969 e 71, em Portugal há poucas. Esta, de Nuno Azevedo de Vila Nova de Gaia, é uma delas. Foi comprada há cerca de dois anos atrás depois do Nuno ter descoberto que ela era de 1971, o seu ano de nascimento. Já há algum tempo que ele andava à procura de uma moto do seu ano mas tinha que ser algo especial, e a Stinger foi realmente um achado. Só tem 3000 quilómetros e, com excepção da borracha do selector de mudanças (que Nuno entretanto já descobriu), não lhe faltava nenhuma peça de origem. A moto está guardada em Baião e Nuno praticamente ainda não andou com ela mas quando chegar a Primavera vai ser. "Nao tive ainda grandes oportunidades para experimentá-la, diz ele, "Mas já estou a pensar no dia em que vamos os dois dar um passeio. O pessoal das Xfs vai ficar maluco quando a vir e reparar no depósito. Quem sabe sabe. e quem não sabe vai pensar que andei a instalar um depósito de Famel na Suzuki. Vai ser divertido"!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Com uma "senhora", claro

A não ser que seja com uma boa companhia, é certo e sabido que andar de moto sozinho é mais agradável que andar acompanhado. Mas quando se trata de tentar bater um recorde, vale tudo, ou quase. Que o digam os 48 membros do esquadrão de motos Swetha Ashwa da polícia militar indiana que, no sábado passado, tiveram que andar coladinhos uns aos outros em cima da mesma moto mas que, graças a isso, conseguiram bater o recorde mundial do maior número de pessoas numa só moto. Para constar do recorde, o grupo fez 1000 metros sem paragens na moto, na pista de um aeroporto militar de Bangalore, durante um festival local de acrobacias com motos. O recorde anterior, de 47 pessoas, pertencia também a um esquadrão de motos de polícia, do Brasil. O mais interessante de tudo, porém, é que o recorde foi conseguido, não com uma BMW KLT, uma Honda Goldwing ou uma Yamaha FJR, mas sim com uma Royal Enfield Classic 500, uma réplica indiana das velhas Royal Enfield dos anos 50. Decididamente não há nada como uma boa clássica, não é?

domingo, 7 de novembro de 2010

Os Vilar Pachanchistas de 54

O tema das Pachanchos é viciante, aliás como tudo ou quase tudo o que tem a ver com "senhoras" e apesar de já ter acabado - por agora - as pesquisas para o artigo sobre as ditas que vai ser o tema de capa da próxima MotoClássica, hoje de manhã, como quem não sabe o que há-de fazer, pus-me a pesquisar na net o que havia sobre a palavra "Pachancho". À primeira vista fiquei surpreendido porque até há páginas e páginas de referências sobre a palavra mas depois, quando fui a ver melhor, fiquei meio desiludido porque 99% do que há tem pouco ou nada a ver com motos. E isto porque a antiga fábrica da Pachancho em Braga deu lugar a um bairro e a esmagadora maioria das referências ao nome "Pachancho" na net referem-se a apartamentos no dito para alugar ou para vender, ou são notícias de jornais sobre as queixas dos moradores do bairro sobre isto e aquilo. Mas, esmiuçando bem no meio daquilo tudo, descobri esta fotografia que vem do blog de um senhor Eduardo Monteiro de Vila do Conde que me parece extremamente interessante. É de 1954 e mostra os agentes da Vilar-Pachancho na altura por ocasião do seu primeiro encontro (naquela época já havia encontros de agentes, pois é), em Braga. Estive a ver as caras uma a uma e as únicas que penso conseguir reconhecer são as dos dois senhores mais ao centro, na fila do meio. O de mais idade, e de óculos, é quase de certeza Ilídio Vilarinho, o fundador da Vilar e o homem que ainda comandava a empresa nessa altura e o outro à sua esquerda, mais novo mas muito parecido com ele, poderia ser seu filho. Fora os dois, e o senhor Eduardo (que possivelmente seria o agente da Vilar Pachancho em Vila do Conde), que será o terceiro na fila do meio, a contar do lado esquerdo da foto, dos outros não faço nem ideia mas é interessante pensar como em 1954 havia tanta gente em Portugal a vender Vilar Pachancho. Mesmo que algumas daquelas pessoas fossem empregados da Vilar e da Pachancho, isto quereria dizer que ainda haveria uns 25 a 30 garagistas em todo o país a vender os ciclomotores da marca. Curiosamente António Peixoto, o fundador e director-geral da Pachancho na época não aparece na foto se bem que o homem forte e careca na primeira fila poderia ser o seu filho Zacarias que lhe viria a suceder quatro anos mais tarde e que no final dos anos 60 se afastou da empresa sendo substituído pelos seus quatro irmãos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Na senda das Pachancho


Tem sido uma semana dura. Estamos a fazer todos os possíveis e impossíveis para ainda hoje pôr a próxima MotoClássica na gráfica e graças à nossa mini-equipa fora-de série - e que ontem ficou a trabalhar até altas horas, em escritas, revisões de textos e paginação de artigos - somos bem capazes de o conseguir. Não é normal mas desta feita o último artigo a ser acabado foi o da capa, dedicado às Pachanchos e apesar do stress, que emoção tem sido o descobrir tanta coisa nova sobre esta espectacular marca. Quando o artigo sobre ela foi começado há coisa de dois meses atrás, pensávamos que iríamos falar das Pachanchos especiais em contraposição às Pachanchos "normais" que se fabricaram em maior volume. Mas, ao começar a falar com entendidos da mara de norte a sul do país, acabámos por descobrir que afinal todas as Pachanchos foram especiais. Ao contrário do que muita gente pensa, não houve uma ou duas Pachanchos que tenham sido o grosso da produção, e depois outras três ou quatro que se tenham produzido em pequenas quantidades. Houve umas 10 ou 12, ou mais - neste momento penso que ninguém sabe ao certo o número - e todas elas fantásticas. A da capa, a Fulmen do Filipe Viana, é sem dúvida uma das mais especiais pois é a única Pachancho com escape "por cima", mas há outras também muito interessantes. Pese todo o trabalho de pesquisa que já foi feito à volta da marca nos últimos anos - e já não foi nada mau - quanto mais tento aprender sobre ela mais me parece que ainda há muito por descobrir sobre a marca.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O próximo "carro" do Vasco

O trofense Vasco Santos até que nem tem um mau carro. Tem um Bmw 320 já com uns anos mas imaculadamente conservado. Daqueles que parece que saíram ontem do stand. E podia continuar só com ele, feliz da vida. O problema é que o cunhado, que também é do mundo das quatro rodas, tinha encostada lá na garagem esta Casal K185 Trial do final dos anos 70. Velhinha, já com a tinta desgastada e o motor a pedir uma boa revisão. O nosso amigo, sempre que ia a casa dele, gostava de ficar a admirar a moto. Achava-a, e com razão, bonita e fazia-lhe lembrar os seus tempos de juventude quando gostava de andar de motorizada os sete dias da semana. Um dia tomou coragem e perguntou ao cunhado se ele não a queria vender. Há uns meses atrás, o homem, que até é boa pessoa, acabou por oferecer a moto ao Vasco e desde aí ele não tem parado. Já a desmontou, já arranjou tudo o que precisava de peças para ela, mandou fazer uma revisão ao motor, e neste momento está a começar a pintá-la (na foto pode ver-se a moto num ensaio de pintura e dos logos do depósito, os quais, entretanto, já foram alterados por causa do lettering). Daqui a umas semanas, se tudo correr bem, o trabalho fica pronto mas Vasco não pretende ficar com a K185 guardada só para os fins de semana. "De minha casa ao trabalho são só uns poucos quilómetros e o caminho faz-se muito bem de moto. Em vez de ir de carro, sempre que puder, venho na Casal. Vai-me sair mais barato, poupo tempo, e ainda fico muito mais bem disposto para o resto do dia"!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A "acelarar" em Sevilha, olé!


Entre os vários clubes de motos antigas espanhóis que vêm oficialmente participar em passeios portugueses há quatro que se destacam, o Dalle Gas de Tomiño na Galiza, o Moto Club el Piston de Santander, o Moto Club Los Charros de Salamanca e o Er Botica, de Sevilha. De todos eles, porém, este último, é, sem sombra de dúvidas o que vem mais a Portugal. Nuns casos com mais membros, noutros com menos, o clube andaluz participa pelo menos em cinco passeios portugueses e pelo menos um deles, o de Almodôvar, já bem longe de Sevilha. Em face de tão boas relações, não será de admirar que quando o Er Botica realiza o seu passeio anual, no final de Outubro, haja uns quantos "hermanos" portugueses a marcarem lá presença e este ano. Começaram por ser meia dúzia, depois uns 10 ou 15 e no ano passado uns 25. Este ano, com a crise, era de se esperar que fossem um pouco menos mas não. Foram quase 40, cerca de um terço de todos os participantes os quais desfilaram, com escolta policial e tudo, por algumas das principais artérias da cidade. Se a participação lusa continuar a aumentar nos próximos anos daqui a dois ou três há mais Casais, Sachs e Fameis que Montensas, Bultacos e Derbis.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Afinal havia outra, e outra, e outra.

Sempre que chega a altura de pensar quais vão ser as quatro fichas do próximo número da Dmc, a escolha é sempre difícil mas ao mesmo tempo emocionante. Difícil porque há sempre muitas scooters, motorizadas e motos sobre as quais gostaria de falar e é sempre preciso preterir umas em favor de outras; mas emocionante, também, porque depois de feita a escolha, por mais que eu pense que já sei das "eleitas" acabo, por descobrir muita coisa interessante sobre elas. E foi o que aconteceu neste fim de semana comprido quando decidi dedicar uma boa parte dele a escrever os textos das fichas da MotoClássica 27 (a qual, se tudo correr bem, vai para a gráfica na próxima sexta-feira). Como tenho "queda" para coisas complicadas, a das motos grandes vai ser sobre a Hercules Wankel que apesar de não ser a moto mais popular do mundo - em Portugal ter-se-ao vendido, no máximo, meia dúzia - é uma peça histórica por excelência ou não fosse ela a primeira moto do mundo com motor Wankel. Primeira e única, pensava eu quando comecei a pesquisar o tema. Mas não. Afinal houve pelo menos mais quatro ou cinco motos com motor Heinkel, incluindo a Suzuki RES, a Van Veen Rotary (a única moto com motor Wankel com dois rotores, o que lhe dava uma potência fantástica), a MZ-R e a Norton Interpol. Ao contrário dos automóveis onde também houve meia dúzia de modelos experimentais com o motor mas onde um deles (o Mazda Rx8) ainda é fabricado, nas motos, seja por falta de dinheiro seja por outros motivos, nenhuma das experiências vingou. Mas, pelo menos no Reino Unido, o Wankel para duas rodas não morreu. Das várias experiências que houve com o motor, o da Norton Interpol foi, de longe o que teve mais sucesso. Quando foi fabricado, na segunda metade da década de setenta, a marca inglesa chegou a vender centenas de Interpol, tanto para a polícia como para particulares e tanto na altura como depois a moto teve muito boa aceitação. A Norton, entretanto, fechou as suas portas, mas uma oficina localizada perto da fábrica, a Rotary Parts, comprou todo o stock de peças que a fábrica tinha para os motores Wankel e desde então, com o que vai tendo do stock e com o fabrico de peças que se vão esgotando, ajuda a manter o que ainda resta das Interpol em circulação - e que ainda serão entre 200 e 250 - sem problemas de rotores e outras peças para o motor.