quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A baleia azul


Estava eu ontem a acabar um dos principais artigos da próxima Dmc, sobre o projecto louco, mas maravilhoso do conde Domenico Agusta e o seu irmão Vicenzo que fez da MV Agusta uma das marcas mais espectaculares de sempre no mundo da competição em duas rodas quando me deparei com esta "bomba" que durante dois anos interrompeu o reinado da MV nas 125. Foi em 1952. No ano anterior, a marca italiana tinha ganho o seu primeiro campeonato mundial de velocidade nesta categoria, com a sua primeira 125 a quatro tempos e com dupla árvore de cames à cabeça. O seu grande rival era a Mondial que tinha ganho o campeonato desde a sua primeira edição em 1949. De 1955 até 1960, a MV venceu todos os anos o campeonato, com excepção de 1957 - em que a Mondial a bateu devido a quedas dos pilotos da MV - mas em 1953 e 54 o vencedor não foi nem uma nem outra, nem nenhuma outra marca italiana (tradicionalmente a categoria de 125 só contava com a participação de marcas italianas). A explicação para o mistério é esta moto, a NSU Rennmax, conhecida na época como a Bluewal (baleia azul em alemão). Antes da segunda guerra, a marca tinha chegado a ser o maior fabricante de motos alemão, e um dos maiores do mundo, e tinha obtido muito bons resultados em provas de velocidade. Quando teve que recomeçar quase do zero em 1946 a competição ficou para segundo plano mas no começo dos anos 50, resolveu voltar às corridas com esta monocilíndrica espectacular que debitava 12cv, e uma 250 bicilíndrica desenvolvida a partir da 125. Em 1952 obteve resultados interessantes mas em 1953 ganhou folgada as duas categorias e no ano seguinte prparava-se para repetir a proeza. Isto até que numa sessão de treinos da última prova, em Monza, o seu principal piloto nesta categoria, o austríaco Ruppert Hollaus, teve um grave acidente e morreu. Depois do mesmo, a NSU resolveu retirar-se das compeitções e nunca mais voltou. Se tal não tivesse acontecido, a liderança da MV teria sido, no mínimo, bem mais díficil.

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